Adianta saber quanto o mundo produz, se a origem da fome a ser saciada está na distribuição e não na produção? Pelo sim ou pelo não, os números estão aí para atualizar os dados de quem gosta de estatísticas. A produção mundial de cereais vai chegar aos 1,848 bilhão de toneladas entre 2000 e 2001, com uma redução de 1,7% em relação ao ano anterior, segundo as previsões da (FAO), divulgadas ontem, em Roma.
Se com abundância está difícil resolver os problemas do mundo esfomeado, imagine, então, com a queda da produção.
E para os política, ideológica e socialmente corretos, uma má notícia: o número de pessoas que precisam de ajuda alimentar aumentou em 10 milhões de indivíduos em um ano.
A FAO, que acaba de publicar seu último boletim ‘‘Perspectivas Alimentares’’, se viu obrigada a reduzir ainda mais suas estimativas a respeito das últimas previsões publicadas em agosto, devido à forte seca registrada em numerosos países produtores de cereais, diz o relatório, divulgado ontem pela France Presse.
A produção de trigo deverá alcançar 582 milhões de toneladas, baixando 1,4% em relação ao ano passado. A produção de cereais secundários (aveia, milho, cevada, centeio, sorgo) será de 870 milhões de t (-1,5%). A do arroz registrará uma redução de 2,3% em relação ao ano recorde de 1999, de 397 milhões de t.
Sem contradição, o comércio mundial de cereais em 2000/01 chegará a 238 milhões de t, ou 1% a mais do que as previsões precedentes, devido à forte demanda de cereais secundários e de arroz.
Embora a produção de cereais tenha baixado, o número de pessoas que sofrem fome aumentou.
O número de pessoas que precisam de ajuda alimentar e humanitária urgente passou de 52 milhões a 62 milhões entre outubro de 1999 e outubro de 2000, adverte a FAO.

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