O mercado da soja promete novidades esta semana. Tudo vai depender, porém, de como a União Européia pretende conduzir as compras de rações para alimentação animal. E o grau de preocupação com relação a doença da ‘‘vaca louca’’. Se A UE endurecer, melhor para a soja.
Esta condição de mercado é quase episódica, só vale para o curto prazo. Se a UE decidir conviver com a ração à base de farinha de carne e farelo de osso, o mercado retorma à rotina de sempre.
Na semana passada houve duas situações opostas. Primeiro, a decisão de substituir o farelo de osso e a farinha de carne, potenciais vetores da doença, ganhou corpo. Aí o mercado da soja criou a expectativa de uma grande demanda. A Bolsa de Chicago, expressando esta ansiedade, fechou em altas consecutivas.
Dias depois, na quinta-feira, o mercado concluiu que apenas a França faria a substituição. O mercado chegou à conclusão de que a ração de origem animal não seria substituída por vegetal. Mas, na sexta-feira, a Itália resolveu aderir, antecipando-se à decisão em bloco da UE, que ficou para esta semana.
A adesão da Itália ao boicote da ração à base de farinha de carne e farelo de osso foi suficiente para o fim de semana agitado tanto na Bolsa de Chicago como no mercado interno, com altas de 50 centavos nos preços da soja em Cascavel, Ponta Grossa, Maringá e Cornélio Procópio.
Se a UE endurecer na prevenção contra o risco da doença da vaca louca, o Brasil será mais beneficiado do que os Estados Unidos. É que a UE pode pender para o lado da soja convencional, embora de maneira não tão radical como no caso da vaca louca.
O mercado da soja inicia a segunda-feira tentando avaliar o que os europeus pensam da ‘‘vaca louca’’. Os consumidores pressionam muito, o problema ganhou dimensões nos últimos anos. Mas os negociadores não podem expressar essa preocupação para evitar explosão dos preços da soja.
O fator ‘‘vaca louca’’ não mexe apenas com o mercado de soja. O consumidor europeu é exigente, chega a ser um chato. Então, na dúvida sobre a alimentação do gado, ele opta pela carne branca. Quando o assunto é saúde, radicalizar é preciso. O Brasil ganha de novo, só que agora com o frango. Empresas como a Sadia e Perdigão já vislumbram espaços. Principalmente a Sadia, cujo diretor, Luiz Murat, planeja aumentar as exportações para a UE.
Por conta de episódios como este, os abates de aves já não serão mirados exclusivamente para a mesquista, como mandam os padrões religiosos do maior cliente, o Oriente Médio. Aliás, a participação do Oriente Médio nas exportações brasileiras vem caindo desde 1998. A nova fronteira pode ser a velha Europa.
Nessa história toda não se percebe a mesma ambição por parte do pessoal da carne bovina. O boi verde brasileiro, feito de capim ecológico, não se manifestou. O Brasil é competitivo na UE, poderia avançar mais neste momento em que todos querem crescer em cima do pavor e do trauma do consumidor europeu em relação à ‘‘vaca louca’’.

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