Ugo Rodack, de Curitiba: ‘‘A posição do Sr. José Eduardo de Andrade Vieira (‘‘Boi deve ser vendido no gancho e à vista’’, página de Agribusiness, dia 31/10) é correta, mas o que falta no mercado é liquidez e segurança. A venda à vista pode ser uma alternativa de segurança, mas é prova inconteste da desconfiança do vendedor com relação ao comprador.

O passo mais importante a ser dado no mercado da carne é a classificação de carcaça, como falou o Sr. Vieira, pois isto obrigará os frigoríficos a remunerar não só o rendimento, mas também a qualidade da carcaça, o que vai incentivar o pecuarista a investir ainda mais em tecnologia de produção. O problema é que o ‘‘lobby’’ dos frigoríficos é forte e eles não têm interesse nisso, pois no sistema atual paga-se menos por carcaças com peso inferior a 16,5 arrobas e por fêmeas, que têm excelente qualidade de carne e têm bons preços no mercado, garantindo o lucro para os frigoríficos.
A classificação de carcaça, aliada a uma política fiscal de incentivo a empresas sérias e de grande porte, que queiram investir nesse segmento, pode garantir um mercado seguro e rentável para os pecuaristas que, hoje, estão a mercê de comerciantes inescrupulosos que, ou aviltam o preço do boi, ou prometem um preço razoável e dão o calote, com tradicional prática de quebrar a empresa e deixar os criadores na mão.
Acho também que o trabalho iniciado por José Eduardo no Ministério da Agricultura é louvável, implantando legislação e criando a exigência do comércio de carne desossada e identificada. Mas isso deveria ser acompanhado (além da continuidade da fiscalização) de uma companha de esclarecimento público e de demonstração das diferenças entre as carnes, pois é só através da educação do consumidor que teremos a qualidade da carne valorizada, a exemplo do que acontece em países desenvolvidos.’’
Nota: Ugo Rodacki é presidente da Federação Paranaense das Associações de Criadores (Fepac), que representa associações de mais de 20 raças de bovinos.
Valdir Edemar Fries, de Itambé: (o leitor é técnico agrícola e agricultor. Na sua carta ele compara a realidade atual do agricultor às ‘‘estórias’’ de camponeses dos livros infantis. Discorre, inspirado, sobre a fábula de ‘‘O Burro e o Sal’’. Para Valdir Edemar, continuamos como nos velhos tempos, ‘‘iniciamos uma jornada puxando os burros, achando que somos donos da razão, porém, ao final de longa caminhada chegamos em casa sem o sal e atrás dos burros...’’. Encaminhamos sua mensagem para a seção de carta. Vale à pena lê-la. Parabéns.
Angnelo P. Poligatti, de Pato Branco: ‘‘Ao publicar o preço do milho pago pelas granjas, a não deixa dúvida sobre o preço real do mercado. Fez o que é certo. Isto porque os preços de lotes sempre deixam dúvida pois são médias que, mesmo sendo médias, são diferentes de região para região, e se forem estaduais acabam mostrando números muito vagos. Pior é quando o preço for aquele ‘‘pago ao produtor’’. Torna-se ainda mais vago pois fica sujeito a muitas influências, inclusive as extramercado.’’

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