Oswaldo Petrin
Depois do fiasco de Seattle, a liberação do comércio agrícola despojado do protecionismo, volta a ser discutida hoje, pela Organização Mundial do Comércio (OMC) só que agora em Genebra. É uma reunião preparatória, mas - se conseguir alguma conclusão - não deixa de ser importante. A idéia é de que, até março de 2001, as várias propostas sejam agrupadas e que os países definam o formato e a metodologia das negociações.
Um dos pontos mais delicados será - de novo - o futuro dos subsídios que agricultores de países desenvolvidos recebem para produzir e exportar suas mercadorias, principalmente na União Européia.
O Brasil continua acreditando em Papai Noel e impõe sacrifício à sua produção. Mas nos números estão aí: em 1998, os países ricos gastaram US$ 355 bilhões com o setor, quase 60% do total do comércio agrícola mundial. Os diplomatas europeus afirmam que aceitam negociar uma redução dos subsídios, mas condicionam uma reforma em seu sistema a um corte mundial de créditos agrícolas e uma restrição à atuação das empresas estatais que exportam produtos agrícolas.
Todos os países terão a oportunidade de apresentar suas propostas sobre a questão, antes que as negociações comecem efetivamente no próximo ano.
Estamos ainda em uma etapa relativamente fácil, os obstáculos irão aparecer quando os diplomatas forem obrigados a tomar decisões, afirma um assessor da OMC, à Agência Estado.
Este evento de Genebra faz parte de uma estratégia da OMC de aproximar as posições dos países em temas que envolvem muitos interesses. Com isso, a organização espera evitar um novo fracasso, como o que ocorreu no ano passado na reunião ministerial de Seattle.





