Na atual turbulência do mercado da soja (primeiro, as especulações em torno do relatório do Usda, depois a inquietação por conta desses números), não se pode perder de vista uma variável que tem sido determinante nos últimos dias: o dólar. As oscilações do mercado físico nos últimos dias têm em se dado muito em função da variação do dólar em relação à moeda nacional. Ontem, por exemplo, o dólar teve picos de 1,9850. Fechou, aos olhos dos operadores de mercado da soja, em 1,9640, depois de variar bastante.
Essa oscilação tem ajudado o preço interno da soja. Tanto que na quarta/quinta-feira a soja chegou a R$ 19,30 em Ponta Grossa e Cascavel. A variação nos últiomos dias andado ligada à valorização do dólar.
As variações do dólar nos últimos 30 dias, entre 5% e 6%, podem ser creditadas em grande parte ao comportamento da moeda norte-americana. Uma estabilidade do dólar pode amenizar o mercado da saja. Até porque nos próximos 30 dias o mercado viverá a ressaca do impacto de ontem causado pelos dados do relatório do Usda.
Como o Usda surpreendeu o mercado e divulgou uma quebra na safra de soja maior do que a prevista, é muito provável que as atenções se volvem agora para os efeitos disso. Mas, o que o produtor não pode esquecer é o seguinte: se normalmente o dólar permeia o comportamento de commodities em geral, sua inflência será bem maior agora em que o mercado passa a trabalhar, teoricamente, com variáveis mercadológicas bem definidas: safra e estoques finais americanos bem claros; safra na América do Sul, bem posicionada, e demanda mundial, igualmente definitiva.
Passar a régua nesses fatores não chega a ser um erro, mas subestimar novas reações do dólar pode ser um ato de amadorismo. E o mercado é cruel com os não matreiramente profissionais.

mockup