Representantes das indústrias Nortox e Milênia Agrociências S.A. vão depor hoje na Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Câmara dos Deputados que apura a importação de princípios ativos de agrotóxicos. A reunião de hoje é para discutir os termos da ata que permitiu a importação e comercialização de agrotóxicos não registrados.
Devem depor também o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, os presidentes do Ibama, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Bioagri Laboratórios. Pela Nortox falará o sr. Osmar Amaral; pela Milênia, Luiz Guedes.
O empresário Osmar Amaral disse ontem a este jornal sobre o que vai dizer à Comissão: ‘‘Vou dizer que a ata (que permitiu a importação e comercialização de agrotóxicos sem registro) não tem valor algum; que o governo trabalha com portaria com resoluções e com leis. E que, portanto, meia dúzia de burocratras reunidos secretamente não podem criar nem mudar nada.’’
O repórter também entrevistou o empresário Oswaldo Pitol, da Milênia: ‘‘Nosso argumento é que a Milênia sempre seguiu as orientações do Ministério da Agricultura, que é o órgão registrante. Temos por escrito as recomendações do Ministério da Agricultura respondendo perguntas e consultas feitas na oportunidade para que tudo fosse feito dentro da lei.’’
Pitol também disse que, apesar dos procedimentos corretos sua empresa não pode usar o produto porque houve uma denúncia sobre essa importação. Mas todos que importam matéria-prima o fazem desta forma. Tanto que tivemos agravo de instrumento deferido pelo Tribunal.
Os argumentos tanto da Nortox como da Milênia sobre o episódio foram amplamente divulgados nos últimos meses através de entrevistas ou de notas oficiais das duas empresas. A Audiência Pública de hoje tem papel importante no sentido de elucidar as questão das importações. Não se trata de jogar lenha ou água na fervura. Mas, com certeza, o governo através dos órgãos envolvidos - ministério da Agricultura, Ibama, Agência de Vigilância - terá que adotar postura mais clara sobre este e outros episódios. Mas que se defina sobretudo a regulamentação sobre importações de agroquímicos, no caso inclui glifosato, 2,4D, Imazaquim, Imazetapir.

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