Oswaldo Petrin
A suinocultura deve fechar 2000 festejando mais um aumento no consumo interno, que projeta 11 kg/per capita/ano (10,7 kg ano passado). Na verdade, o consumo é bem maior, nas contas do presidente da Associação dos produtores (APS), Romeu Carlos Royer. Ele considera os dados da família rural que não entram nas estatísticas oficiais de produção e consumo. Cita, como exemplo, os 136 mil produtores do Estado do Paraná, que consomem 6 suínos/ano ou cerca de 820 mil cabeças. Um mercado nada desprezível no marketing da carne suína, com direito à campanha publicitária este ano.
Contas refeitas, nos três Estados do Sul, com certeza, o consumo é bem maior.
Ainda assim, estamos longe do consumo alemão, de 38 kg/per capita/ano, ou ainda mais distante do invejável consumo dinamarquês, 68 kg. Mas, talvez, não estejamos tão inferiores em relação aos 22 kg da Argentina.
De qualquer forma, 11 kg/pessoa este ano dá espaço para novas campanhas de aumento da demanda. É o que se pretende fazer, explorando as qualidades de sabor e sanidade do suíno paranaense. O setor investiu em genética e infra-estrutura das granjas.
Apesar da boa imagem, o aumento da demanda neste final de ano está demorando para decolar.
A cadeia da carne suína tem um grande desafio. Não consegue trazer para discussão os segmentos da distribuição e do atacado. Eles estão satisfeitos demais para participar de qualquer polêmica. Afinal, a margem de lucro é um exagero.
Segundo dados da APS, citados ontem pelo seu presidente, enquanto o produtor recebe no máximo R$ 1,20/kg (preço de ontem em Toledo, Pato Branco, Ponta Grossa e Grande Curitiba), o preço no varejo é de R$ 8,00/kg.
No lombo, a margem de lucro desses segmentos chega a 600%. Fonte da Abras não soube dizer se estes valores estão correntos.
Mas Royer cita o exemplo de uma grande rede internacional que na França
trabalha com 220% enquanto no Brasil o diferencial é de 420%, mesmo assim abaixo da média.
A média das margens deixadas no caminho pelos suínos é de 86% no Brasil. O desejo dos suinocultores é que esta margem fosse mais civilizada como no setor de aves: 24%.





