Oswaldo Petrin
A semana promete novidade para o mercado do arroz com a retomada das negociações entre representantes do Mercosul e agentes do bloco asiático. Missão da Coréia do Sul deve visitar o Brasil, nesta ou na próxima semana, para tratar do assunto. Mas a pauta não trata só do arroz: os técnicos querem conhecer as condições sanitárias da produção de outros itens, inclusive carne bovina no Brasil e frutas na Argentina.
Tudo começou com a visita à China, Japão e Coréia do subsecretário-geral de Assuntos de Integração do Itamaraty, embaixador José Alfredo Graça Lima, no início de outubro. Segundo ele, o Mercosul pode ser fornecedor de arroz e outros alimentos para o mercado asiático de mais de um bilhão de consumidores.
Pelas contas do embaixador, Brasil, Argentina e Uruguai poderiam exportar até 2 milhões de toneladas/ano.
Mas os produtores mesmo não acreditam. Uma fonte da Federação dos Produtores de Arroz (Fearroz) do Rio Grande do Sul, principal fornecedor, disse ontem que tudo não passa de um sonho. Os países asiáticos são conservadores e adotam a superproteção dos seus produtos. O comércio de arroz nos demais países do bloco não é diferente do Japão. E no Japão arroz é uma questão de segurança nacional. Para entrar um quilo de arroz no Japão é muito complicado, segundo a fonte.
Se o Brasil quiser apoiar sua produção de arroz e manter seu abastecimento regular deve proteger sua produção das importações subsidiadas. Não adianta falar em exportar. O produtor nacional quer muito menos: quer apenas que o arroz que entra no País não tenha juros e prazos generosos, diz a fonte expressando, talvez, o pensamento dos arrozeiros gaúchos.
O representante dos produtores não fala em taxar o arroz importado, mas que o governo não deixe as portas tão francamente abertas para arroz estrangeiro, mesmo os que vêm por vias legais do Mercosul. A economia mundial, embora globalizada, não é mais o Porto de Constantinpla, a esquina do mundo, resume a fonte.
Mas o espaço vislumbrado na Ásia pelo diplomata Graça Lima, não se resume em arroz. No caso da Coréia, o diplomata brasileiro acredita que o Mercosul possa se tornar o principal fornecedor de frutas e carnes. Já no caso da China, os itens seriam: café, suco de laranja e óleo de soja.
Mas, tanto quanto o arroz, para esses itens, ganhar o mercado da China é um sonho distante. Vai depender da entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC). Aí, de novo, o ceticismo e a ironia de analistas de mercado, que concordam com a Fearroz, mas ponderam: para ter o apoio do Brasil ao seu ingresso na OMC, os chineses fazem qualquer negócio.
Mas se para o arroz tudo não passa de cogitação, no caso da carne bovina, óleo de soja e frango nada é impossível, mesmo quando o comprador (em potencial) é a China.
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