José E. Moura , de Ribeirão do Pinhal: ‘‘Acho oportuno comentar a carta do leitor Ricardo S. Strenger (Dia do Leitor 28/10/2000). O panorama traçado sobre a cafeicultura do País e do Paraná é perfeito e pertinente.
Gilmar Z. Clavisso , de Curitiba: ‘‘Cerca de 200 mil técnicos agrícolas de todo o País, sendo 5 mil do Paraná, comemoram no dia 5 de novembro (neste domingo) o Dia Nacional do Técnico Agrícola e os 90 anos da profissão. Vinculados ao Sistema Confea/Crea’s por força da lei 5.194/68, os técnicos agrícolas, qualificados em diversas modalidades, sempre lutaram para participar ativamente do sistema, apesar de encontrarmos barreiras. As dificuldades estimularam, cada vez mais, a luta por nossos direitos. Hoje estamos com boa parte do caminho percorrido para a criação do Conselho Federal e Regionais dos Técnicos Agrícolas e da realização do primeiro curso de especialização para técnicos agrícolas.’’ (Gilmar Z. Clavisso é presidente do Sindicato dos Técnicos Agrícolas (Sintea-PR).
‘‘Com relação à cafeicultura paranaense, além dos problemas relatados na missiva em questão, devo acrescentar que nos faltam lideranças atuantes e representativas. As pessoas que se acham à frente de nossas entidades de classe, salvo honrosas exceções, estão em seus cargos há vários anos e não mais representam a nova cafeicultura paranaense, contituída em sua maioria por pequenos e médios produtores. Representam uma minoria, quando não representam apenas a si próprios. A cafeicultura do cerrado mineiro vem conseguindo cada vez mais espaço, justamente por isso. Possui líderes com idéias arejadas, ousadas e inovadoras. Os cafeicultores daquele Estado também têm uma representação política de peso. Deputados estaduais, federais, inclusive um ministro (Carlos Melles, dos Esportes e Turismo). E nós paranaenses quantos deputados cafeicultores temos?’’
Newton I.S. Carneiro Júnior , de Ribeirão do Pinhal: ‘‘Muitos me pergutam como vejo o futuro do café no Paraná e no Brasil. Inicialmente, diria que para fazer uma análise correta teria de avaliar os cafés Arábica e Robusta separadamente. No caso do Arábica, a produção é decrescente e no caso do Robusta o aumento da produção é explosivo seja no Brasil, Vietnã, Indonésia, Tailândia, Índia, África e outros. Só como exemplo, no início da década de 90 nossa produção era de 2.000.000 de sacas e hoje se aproxima de 10.000.000, daí sermos radicalmente contra a retenção, visto que os países produtores de robusta não fazer parte da OIC, portanto, não entram no acordo. E mais, tudo que retemos de Arábica eles vendem de Robusta, e o mercado não reage. O futuro do Arábica é, sem dúvida, o de produzir cafés especiais de qualidade indiscutível, com bebidas de aroma e sabor típico das regiões onde são produzidos e vendidos a bom preço.
O restante será consumido como café commoditie, misturado com Robusta tanto nas torrefações como na indústria de solúvel, tendo como preço base aquele do Robusta. Por outro lado o Robusta, além de servir como mistura nas torrefações e no solúvel, terá um enorme consumo nos cafés para beber gelado, aromatizado com chocolate, canela, hortelã, etc visto que não tem gosto nem sabor próprios. O Paraná produz café Árábica, só faltando volume para qualidade requerida pelo mercado internacional. Aos poucos chegaremos lá e teremos bons preços para clientes que preferem tomar café Arábica puro, sem qualquer mistura. Está, portanto, na hora de o consumidor exigir que em embalagem de café torrado e moído conste a composição do que tem dentro, assim: café arábica + café robusta + palha + milho + cevada...e o que mais possa ser misturado. Estamos aceitando adesões para fundação da Associação Brasileira de Produtores de café Arábica.’’ (e-mail: [email protected])

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