Oswaldo Petrin
Os grupos Bertin e Friboi, as duas maiores empresas frigoríficas de carne bovina do país, formaram ontem uma empresa (ver matéria nesta página) voltada para o corned beef. Agora querem aumentar sua participação no mercado comprando novas unidades. E pretendem elevar suas exportaçãoes. Este ano Bertin e Frigoi foram responsáveis por 60% das exportações brasileiras. A nova empresa teoricamente começa com esta fatia. Mas quer ampliá-la pois um de seus objetivos é comprar outras unidades, inclusive fora do Estado de São Paulo.
No Sindifrio de São Paulo, que representa as indústrias do setor, a sensação ontem era que a união das duas empresas em um projeto voltado para a carne industrializada teria como objetivo reduzir custos e ganhar competitividade no mercado externo. Nada mais plausível.
Bem, esta é a informação oficial. Seria, aliás, já que os dirigentes não se pronunciaram oficialmente desta forma.
Porém, no mercado a transação está sendo vista com outros olhos, ou outros desconfiômetros. Os grupos não se fundiram - arriscou ontem uma fonte ligada ao setor, consultada por esta coluna. Apenas criaram uma joint-venture para viabilizar estratégias de compra de boi e não necessariamente voltada para exportação pura e exclusiva, como quiseram deixar entrever.
Dois grupos fortes comprando boi em conjunto. É para pecuarista esticar o pescoço sobre a cerca e trocar idéias com o colega do outro lado da divisa.
Se isto ficar caracterizado, será absolutamente factível que algum segmento peça que o Cade dê uma espiada no processo. Não será novidade se isto acontecer. Mas o mercado se encarregará de conferir amplitude à uma especulação nesta direção nos próximos dias. Aí, então, Cade neles!.
No entanto, se o interesse é mesmo exportar, a balança comercial combalida agradece. Afinal, o governo FHC tanto fez (em peripécias) que o agronegócio já não será o salvador da Pátria e a receita está despencando.
Dizem que o desempenho só não foi pior porque os EUA mantiveram o ritmo de importações este ano.





