Oswaldo Petrin
Ricardo G. Strenger , de Abatiá: Em consequência do que sugeri em carta anterior gostaria de expor outras idéias. A cafeicultura está atravessando graves dificuldades financeiras. Temos cafeicultores de tradição, desde o pequeno ao grande, que estão sem condição de sustentar suas lavouras; são empreendedores e sustentadores de grande parte da mão-de-obra deste País. Devemos criar mecanismos creditícios para que possamos voltar a ter uma cafeicultura forte.
Praticamos no Brasil uma cafeicultura de alto nível. Não temos mão-de-obra em que se paga 10 a 20 dólares mensais como na Ásia e África; não produzimos café com agente laranja, como no Vietnã; não plantamos coca para sermos subsidiados pelos americanos, como a Colômbia; não temos fronteira com os Estados Unidos para sermos beneficiados por estes, como o México, para que não haja emigração.
Somos cafeicultores de 1ª classe, mas tratados como cidadãos de 2ª classe, em que a incongruente cabeça de um ministro da agricultura produz um ineficiente plano de retenção e no dia seguinte coloca milhares de sacas de café em leilão para favorecer a indústria em detrimento dos agricultores.
Trabalhamos o ano inteiro em condições adversas, somos como uma fábrica a céu aberto, correndo risco diário de perdermos nossa produção.
Os europeus e americanos têm consciência de que os seus agricultores trabalham para a sociedade, trazendo bem-estar e saúde, sendo, portanto, valorizados e subsidiados sem que haja qualquer tipo de reclamação dos concidadãos.
Subsídio não é palavrão é necessidade em qualquer país que preserve sua produção, para evitar desestabilização e desabastecimento; é um mecanismo que deve ser usado pelas autoridades no momento em que houver necessidade para que a agricultura se sustente de maneira equilibrada como no Primeiro Mundo.
No Brasil o povo precisa ser informado sobre a agricultura para respeitar o agricultor e não fazer como o governo que joga a sociedade contra nós como se fôssemos exploradores, para tirar proveito da situação e sermos como agora a sustentação do plano real.
Temos de nos preparar para assumirmos no prazo de dois anos posturas diferentes, para então sim termos influência no próximo governo.
Esperamos que o governo aplique recursos para enfrentar geadas, secas e para manter os pequenos na atividade; suspensão de leilões e da retenção. Esperamos uma política voltada para o mercado. Pedimos ainda uma política de marketing para melhorarmos a imagem da agricultura perante a sociedade para que esta se torne nossa parceira. E, finalmente, a tão decantada e nunca realizada política de marketing para o consumo do café.
Nota : Recebemos cartas: 1) do Sindicarnes, Curitiba, discordando das previsões de alta de preços para o boi, 2) de Ubiraci S. Bugdanovicz, Secretario agrário do PT-PR, sobre Pronaf, 3) de Jacqueline Ferroni, Ribeirão do Pinhal, sugerindo leitura da entrevista de Luiz Hafers - Isto é Dinheiro, 25/10: País quer ser miss simpatia; 4) Newton I.S. Carneiro Júnior, presidente da APAC, 5) Marcos R.L. Siqueira, Marilândia, com sugestões sobre clima.





