O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, veio ao Paraná, ontem, numa situação no mínimo desconfortável. Enquanto participava, na capital, do lançamento de um projeto do governo do Estado - que elogiou -, no Oeste havia manifestações de protesto contra a política de crédito do seu governo. E os próprios cafeicultores, beneficiários de um anúncio sobre alocaçãode recursos feito pelo ministro na ocasião, certamente estavam mais céticos e desanimados do que nunca. Afinal, recursos semelhantes lhes foram prometidos mais de três meses atrás e até hoje não puderam contratar tais empréstimos. Definitivamente a fonte do crédito secou.
Não há convergência entre o governo FHC e quem produz. E o resultado se expressa de várias formas. Por ironia - como constantemente lembram nossos leitores -, nem o clima tem colaborado. Seca no Paraná, depois em Minas; depois no Paraná novamente, alternando estiagem com geadas.
Logo abaixo, nesta coluna, dados sobre outra face do fracasso agrícola (e, convenhamos, do clima). Trata-se do abastecimento do trigo. Nossa dependência cada vez maior dos outros países e o acordo com os Estados Unidos se expressam em números da importação que fecham agora, neste semestre.
A verdade é que o Brasil assume este ano a posição de maior importador mundial de trigo. O crescimento nas compras externas é motivado pela quebra de um milhão de toneladas na safra de trigo do Paraná este ano, ocasionada pelas geadas.
O Brasil terá que importar 7,5 milhões de toneladas de trigo para garantir o abastecimento interno. Os números são divergentes mas apontam o fracasso da produção interna. Quase não há trigo no mercado interno e o pouco que restou da safra paranaense é de qualidade inferior.

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