Deu a lógica: o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu não mexer no juro básico da economia e estabeleceu que a meta da taxa Selic continuará em 16,5% ao ano pelo menos até a próxima reunião, em 21 e 22 de novembro.
O resultado da reunião do Copom, divulgado no final da tarde, não surpreendeu o mercado. Diante da instabilidade do preço internacional do petróleo, agravada pelos conflitos no Oriente Médio e que levou a altas recordes nos últimos dias, a maior parte dos analistas financeiros previa que o Copom seria cauteloso e não reduziria os juros.
Não é a primeira vez que a questão do petróleo adia decisão do comitê de mexer na taxa Selic. Desde o final de junho ela está estacionada em 16,5% ao ano.
Em julho, o governo teve de reajustar os combustíveis por conta da elevação do preço do petróleo, o que gerou um repique inflacionário só superado no mês passado. Enquanto esperava a estabilização dos índices de inflação e do petróleo, o Copom adiou mudanças na política de juros em suas reuniões mensais.
Não se pode omitir outra variável na decisão do Copom. Seguinte: para o governo FHC, tímido em reformas, absolutamente fraco na expansão econômica (os indicadores de crescimento que vira e mexe são noticiados não mudam o perfil de uma economia refratária), a redução dos juros básicos chega a ser fantática. Basta que consideremos que saiu do patamar de 42,3% menos de três anos atrás.
Portanto, a postura conservadora do Copom reflete toda prudência que se deve ter com uma economia absolutamente vulnerável ao menor ataque especulativo externo. O País nos últimos anos não avançou no sentido do fortalecimento econômico. Portanto é melhor manter a cautela.