A crise das indústrias de farinha de mandioca já apavora todo o Noroeste do Estado. Parte das quase 200 pequenas fábricas suspendem suas atividades esta semana e devem dispensar trabalhadores. Muitos trabalhadores. Na verdade isto já vem ocorrendo lentamente três meses atrás.
O giro do pequeno comércio de algumas dezenas de municípios foi prejudicado. Há uma crise de liquidez. Há distritos que vivem basicamente da mandioca.
Da cadeia produtiva da mandioca, o único setor que sobrevive - e mesmo assim não está bem - é o da indústria de féculas, mas não absorve toda a produção.
Dados da Associação das Indústrias. Ná época de plantio, ano passado, a matéria-prima estava na faixa R$ 120,00/140,00/tonelada e R$ 22,00/22,00 saco de 50 quilos. Hoje a tonelada da matéria-prima está em R$ 72,00 e o saco de farinha, preço pago ao produtor caiu para R$ 12,00.
Tudo isso porque o Governo FHC, no início do ano, teve a ‘‘brilhate’’ idéia de excluir a farinha de mandioca dos programas sociais de Dona Ruth Cardoso e da cesta básica. De lá para cá só foi dificuldade, segundo o presidente da Associação das Indústrias de Derivados de Mandioca do Paraná, Demerval Adilson Silvestre.
A Associação de Silvestre faz o que pode: envia dados ao governo, articula com políticos e altos funcionários. Aguarda a resposta. Agora mesmo, a Associação está preocupada em garantir verbas orçamentárias para que programas sociais, ano que vem, não fiquem sem a farinha da mandioca, uma delícia que o governo FHC excluiu cardápio. Ele nunca comeu e não sabe o que está perdendo.
A mandioca dá empregos diretos e indiretos para 10 mil pessoas, do campo às indústrias de fécula, ilustra Silvestre, diretamente de Tapejara, no final da tarde de ontem, quando os trabalhadores do campo estão chegando de cabeça baixa. O município é um dos inúmeros que têm na mandioca boa parte da sua força econômica.
Os 175 mil hectares de mandioca no Paraná movimentam R$ 1,5 bilhão, grande parte de impostos recolhidos ao Estado. Mas não se sabe se o governo do Estado tem conhecimento.