A semana começa com a preocupação dos agricultores diante dos recentes aumentos nos preços do petróleo. Os norte-americanos gritaram, mesmo não estando na fase de preparo da terra, quando a movimentação de máquinas pesadas é maior que na colheita. No Brasil, especialistas em custos de produção das cooperatias do Rio Grande do Sul e do Centro-Oeste já falam em rever os custos. Não querem adiantar percentuais, contudo. Mas os custos nunca mais serão os mesmos após aumento real do barril na semana passada.
A agricultura ainda não tem as dimensões da repercussão do preço do dieesel ou da gasolina na safra. Mas a diferença, segundo algumas cooperativas, deve ser bem visível a partir do preparo do solo.
Há técnicos que já acreditam no aumento da diferença dos custos de produção entre milho e soja. Quem preparou a terra um mês atrás, para plantio do milho, terá custo final inferior. Toda safra de soja pega, agora, um custo alto, decorrente dos combustíveis.
Isso pesa para quem não decidiu definitivamente pela soja. Aliado a este fato, existe a possibilidade do preço da soja não decolar diante do quadro mostrado pelo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos na semana passada.
Com relação ao petróleo, a forma indiferente com que o ministro Malan coloca o problema, dissimulando sua gravidade, tem irritado os produtores e alguns dirigentes de cooperativas. Eles concordam que o governo não tem o que fazer diante de um problem externo, mas sabem que, de qualquer forma não podem esperar nada do governo FHC. Aumento de custo de produção é para ser enfrentado com a competência do próprio setor em racionalizar custos. Mas alguns reforços nos financiamentos à produção seriam bem-vindos. Isto não pode passar de esperança quando o governo não financia suficientemente nem o pessoal do Pronaf ou Pronafinho.
Como as despesas com petróleo não poderão ser reduzidas, o corte poderá ser feito em outros itens como fertilizantes. Mas isto também é complicado a esta altura, quando a maiori já planejou a safre e fez encomenda dos insumos.
O setor reconhece, contudo, que Malan demonstrou boa vontade na última sexta-feira ao falar para uma associação de mulhores de negócios do Rio de Janeiro: reafirmou que o governo não reajustará o preço dos combustíveis em razão do aumento da cotação do petróleo no mercado internacional. O governo, contudo, não pode controlar aumentos de outros produtos com origem na alta do petróleo, caso do frete.
Malan lembrou que o Oriente Médio é uma zona de enorme potencial de conflitos e que as possibilidades de evolução desses conflitos são ainda desconhecidas.
Para ele, a baixa cotação do petróleo praticada até um ano e meio atrás, quando o preço do barril oscilava entre US$ 10 e US$ 11, é uma das causas da explosão atual dos preços (AE).