Louis A. Borislavy , Guarapuava: ‘‘Parabéns pela entrevista de muito boa leitura do sr. Victor A. Nehmi Filho (sábado 30/9), renomado conselheiro de mercado, da FNP. Não precisava ser tão otimista, apesar disso, nos R$ 48,00/arroba (mesmo sendo para São Paulo excelente preço) para a entressafra.
Ricardo G. Strenger , Abatiá: ‘‘Gostaria de lançar algumas idéias a respeito de condutas e políticas que talvez pudessem ser discutidas pela cafeicultura brasileira, para podermos vislumbrar novos horizontes. Hoje os produtores de Arábica são punidos por produzir qualidade: está provado que através dos anos e com a melhoria da qualidade, cada vez mais a indústria mundial usa Conilon em absurdas proporções. Quanto mais qualidade tivermos, menor será o preço, sem dúvida um paradoxo. As torrefações mundiais foram introduzindo porcentagens maiores de Conilon o que fez com que o consumidor apagasse da memória o paladar de um café arábica puro. Podemos misturar batata e cenoura para fazermos uma sopa, mas não deixam de ser produtos diferentes, assim como café Arábica e Conilon. Com as facilidades de produção de Conilon temos este café arrastando os preços para baixo. Podemos exportar café até para o Vietnã, pois lá não se toma café, sendo óbvio que mesmo produzindo 10 milhões de sacas não se pode beber o que não tem sabor. Para mudarmos esta situação proponho que nós produtores de café Arábica nos associemos mundialmente para que aí sim nossa qualidade seja respeitada. Não há porque nos sentarmos à mesma mesa do Vietnã e Indonésia, por exemplo.
‘‘Outro item importante é a adulteração ou mistura que as indústrias fazem com o café no Brasil. Temos que propugnar junto ao Congresso uma lei que permita o fechamento compulsório destas indústrias e não uma simples multa. Proponho que através de uma associação de produtores de Arábica seja criado um selo de qualidade fornecido por nós, com, a vigilância da lavoura, pois o interesse na qualidade é nosso e não apenas da indústria. Com este selo poderemos permitir a venda de café mesmo que misturado com os rótulos contendo a quantidade de Arábica e outros produtos alimentícios que são adicionados, assim o consumidor terá conhecimento do que está bebendo e, naturalmente, a opção é dele. Com esta simples atitude poderíamos aumentar o consumo interno. Não podemos nos curvar a uma associação que fornece selos de ‘‘qualidade’’ que é ofertado para preservar interesses próprios e que não nos dizem respeito.
‘‘Temos ainda que criar condições para fazermos avaliações de safra com aval da lavoura e nos tornarmos confiáveis, senão para os outros, mas pelo menos para nós menos, pois assim teremos parâmetros para nos anteciparmos aos acontecimentos.
‘‘Há necessidade de sabermos com exatidão o quanto produzimos, mesmo que seja para uma dura realidade. Não podemos ficar nas mãos da Embrapa ou outros pesquisadores de safra que só divulgam os resultados quando estes se prestam a interesses particulares o que certamente não são os nossos.
‘‘Já que estamos abandonados pelo governo, é imperioso que nos unamos de Norte a Sul para a médio prazo termos grande influência na política cafeeira.
Devemos procurar mecanismos que geram estabilidade e valorização de nosso trabalho e nosso produto’’.

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