Oswaldo Petrin
-O Plano Real ainda está longe de potencializar plenamente o consumo interno de alimentos. Para isto terá de ampliar o universo de indivíduos economicamente ativos da sua população, o que não é fácil, afinal a estabilidade não está vencendo o desemprego. De qualquer forma, numa economia em que o subconsumo é regra de sobrevivência, qualquer melhoria no poder de compra, por menor que seja, tem forte impacto no mercado, acostumado a uma demanda apertada e reprimida. Neste cenário, é visível o salto registrado em alguns alimentos como carnes, lácteos, massas e cereais matinais.
-Da mesma forma, é explicável o pequeno recuo nos alimentos básicos, como arroz e feijão. É que a melhoria do poder de compra desloca a demanda para produtos mais caros, de qualidade. O indivíduo, empregado, que aumentou seu poder de compra, passa a consumir mais carne e queijo e menos arroz e feijão - por exemplo. Mas a economia não criou condições (empregos e outras formas de distribuição de riqueza) para que outras faixas de consumidores, mais modestos, demandassem mais arroz ou feijão. Há consumidores para carne, mas falta consumo para o arroz e feijão.
-Traduzindo: o aumento da renda (aumento de barganha, seria mais apropriado) eleva a procura por qualidade. Mas a ausência de emprego impede o aumento de consumo do básico. Esta regra remete para o questionamento de uma estatística do governo, bastante comemorada: Será verdadeiro o ingresso de 13 milhões de pessoas no mercado de consumo nestes três anos?.
-De qualquer forma, o consumo cresceu. Desuniforme, mas cresceu. O consumo per capita de carnes passou de 57 kg/ano para 65 kg/ano e o de leite de 111 litros/ano para 138 litros/ano. Os dados são do Ministério da Agricultura, sobre os três anos do Plano Real. Também houve crescimento nas vendas de iogurtes (98%), cereais matinais (223%), leite longa vida (148%). Cresceram 757% as vendas de bebidas esportivas (cerveja com limão, gatorade, etc), entre outros. O consumo de arroz e feijão apresentou pequena redução.
-Mérito do setor primário e da agroindústria que deram suporte para esses números do abastecimento. É bem verdade que há muito de importado, mas isto é o mercado. De qualquer forma, como frisou dias atrás o ministro da Agricultura, a agricultura tem consciência da responsabilidade de alimentar 160 milhões de brasileiro, dar emprego para outros 33 milhões e ainda exportar. O País deverá produzir mais de 80 milhões de toneladas na safra 1997/98, com um crescimento real da renda do produtor da ordem de 12%. Mesmo com a manutenção da área plantada, houve crescimento da produção no último ano, o que sugere que o País está ganhando em produtividade no campo. Foi bem mencionando o exemplo do frango que demorava de 48 a 50 dias para atingir 1,8 quilos e hoje este resultado está sendo obtido em 38 dias.Indústria





