Com exceção dos produtos de origem animal, cujo custo incorpora as altas no preço do milho, não há espaço para aumentos significativos dos alimentos nas festas de Natal e virada do ano. Esta, pelo menos, é a primeira leitura que os setores de atacado, varejo e transporte fazem diante das encomendas - que começam agora - para o fim de ano. O sistema de varejo está apostando em aumento da demanda agregada entre 8,5% e 10%, no volume. Nada exagerado se se considerar que nos últimos 12 meses - agosto de 99 até agosto deste ano - as vendas em geral apresentaram crescimento de 6,3%.
A Abia, que representa a indústria de alimentos e a Abras (supermercados) não acreditam em reajustes com altas reais. Mas adimitem certa expansão do consumo. Não há liquidez na fronteira do consumo, porém há fatores ‘‘estimuladores’’ de demanda: a ecomomia (relativamente) estável e a oferta de crédito que, apesar dos juros ainda alto, apresenta prazos tentadores.
O consumidor, que vem de um longo período de prudência - diante da recessão e do desemprego -, agora se sente com maior capacidade de endividamento. Não há liquidez: há capacidade de envididamento. Às vezes ilusória.
O perigo é que ocorra a armadilha do início do Plano Real, em que se abusou do crédito e das compras. Três meses depois a inadimplência ganhou espaço nas estatísticas e indicadores econômicos. O comércio experimentou a renegociação e recálculo de dívidas no crédito pessoal, fato raro até então.
No setor de alimentos a demanda pode até surpreender, no bom sentido. Afinal três semanas atrás a Associação Paranaense de Suinocultores (APS) já registrava sinais de aumento expressos no aumento de encomendas de leitões, tipo preferido para esta época do ano.
As marcas que detêm maior fatia do mercado de aves diferenciadas estão esperando crescimento de 5% a 6%. Pernil e tender também crescem em igual por centagem.
O varejo esconde o leite e prevê um faturamento de 3%, o mesmo do ano passado para a época. Mas fonte da própria Abia está admitindo que essa projeção é subestimada ‘‘para não querar a cara depois’’.
É nesse segmento que os repasses de custos são dados como certo. O milho, peso significativo, dobrou de preço em um ano. A saca de 60 quilos passou de R$ 8,00 para até R$ 14,00, segundo a Perdigão. Mas o repasse para o varejo não será integral. O líder de vendas da Perdigão, o chester, por exemplo, deverá ter um reajuste em torno de 11%. O pernil e o tender, um aumento de 8%.
Na Sadia, os reajustes da ração, frete, energia, embalagens entre outros estão sendo computados na tabela de preços que a empresa prepara para negociar com o varejo. ‘‘Os aumentos de custos devem ficar em torno de 15%, mas não devemos repassar o total’’ , disse o gerente de Marketing Gilberto Xandó, à Agência Estado. Sua expectiva é de um crescimento entre 4% e 7% nas vendas em relação ao fim de 1999.

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