Oswaldo Petrin
Mais uma vez, pequenos produtores ameaçam bloquear agências bancárias em protesto contra a falta de dinheiro para plantar. Dinheiro que o governo FHC, através de seus membros, incluindo o ministro da Agricultura, anunciou semanas atrás. O governo, absolutamente distante da realidade da produção, só entende uma linguagem, a da ameaça, a do protesto. Tudo é muito difícil de se conseguir. Veja agora, nesta página, a ameaça da Contag.
Paradoxalmente, o próprio governo - como fizeram na semana passada ocupantes do alto escalão do Ministério da Fazenda - faz prognósticos otimistas sobre o desempenho do setor primário, como que reivindicando para sí o êxito da produção. É o que se pode chamar de apropriação indébida do ufanismo de quem produz.
De novo, estão comparando o governo FHC à historia interiorana daquele sujeito peralta que anunciou a doação de uma nota de cem reais para dois cegos que pediam na porta da igreja. O dinheiro está aí, dividam!, ordenou, em voz alta, fugindo do local sem deixar dinheiro algum. À distância ria, enquanto os cegos se acusavam mutuamente:
Ele entregou a nota para você, quero a minha parte. O outro cego retrucava: Não foi para você que ele deu, eu ouvi tudo.
O Governo FHC vai à televisão e diz que o dinheiro para a safra está sendo liberado e vai para os bancos. Mas, nas agências bancárias do interior, os gerentes nunca sabem; estão sempre aguardando instruções do BC.
Desta vez, para evitar vexame maior, a direção do Banco do Brasil, em Brasília, está acenando com a possibilidade de transferir cerca de R$ 70 milhões em recursos já destinados ao Nordeste para atender os agricultores dos três estados do Sul, na linha do Pronafinho. Esta informação faz parte da notícia aí do lado, sobre o protesto dos produtores.
Mesmo assim, esses recursos estão abaixo das necessidades, segundo a Fetaep. A demanda prevista para o custeio do pequeno produtor esse ano só no Paraná é de R$ 110 milhões, enquanto a Superintendência do BB tinha assegurado R$ 61,5 milhões.





