Oswaldo Petrin
O professor Fernando Homem de Mello, da USP, está alertando para o risco de excesso de oferta de milho e feijão no primeiro semestre do próximo ano. Ele defende a necessidade de um acompanhamento constante dos preços de produtos para que o governo possa intervir no mercado, se os preços despencarem.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, já havia alertado, logo após a constatação do estrago das geadas. Prevendo um aumento de produção na safra seguinte, Ponti sugeriu ao governo que ao incentivar o milho deveria planejar toda a safra, até a comercialização, com linhas de crédito para estocagem ou compra do produto. Apontou várias alternativas. Na época o ministro Pratini chegou a pensar em plano de estímulo ao grão.
Tanto Ponti, quase três meses atrás, como Homem de Mello, na última sexta-feira, expressam a preocupação de um setor vulnerável. Preço muito baixo na próxima temporada significa redução de área na safra seguinte e mais problemas com o abastecimento, como está acontecendo agora.
O milho, com certeza, terá uma grande oferta já no mês de janeiro. Analistas de mercado Orildo Camargo, de Toledo, e Camilo Motter, de Cascavel, estão dizendo que as primeiras colheitas de milho desta safra - da região do Lago do Itaipu - entram no mercado já em janeiro. Calor e chuva suficiente ajudam o desenvolvimento da lavoura em outras regiões. A oferta será abundante, portanto. Os agricultores usam híbridos precoces, de rápida maturação uniforme. A tecnologia ajuda prognósticos favoráveis nesta direção.
Não se pode fazer desses fatores positivos um futuro problema para o produtor.
O agricultor tem consciência do risco de superoferta, mas aposta na antecipação da safra de verão na tentativa de pegar o final da entressafra, com colheitas entre o fim de dezembro e o início de janeiro, quando os preços ainda devem estar altos. O governo deve mostrar uma política agrícola eficaz, capaz de liberar verbas se os preços atingirem o nível mínimo de comercialização (R$ 7,10/saca).
Atualmente, a saca de 60 quilos de milho está sendo comercializada até a R$ 13,30 no interior de São Paulo e Paraná e, segundo Mello, este preço pode subir nas próximas semanas, mas depois tende a entrar em queda.
Sobre o preço do milho, discordando um pouco da previsão de Homem de Mello, quero dizer o seguinte: o milho tem preços para todos os gostos. Na semana passada, tanto em Toledo como em Dois Vizinhos, as granjas de suínos pagaram entre R$ 13,00 e R$ 13,20/saca (pequenos lotes, para consumo da semana).
Este preço, como vimos no sábado, foi pago pelas granjas pequenas às indústrias. Se as granjas adquirissem direto do agricultor, o preço sairia por R$ 11,00, mas o grão não teria passado pelo processo de secagem e limpeza.
Agora, vejam a disparidade do mercado: ao mesmo tempo em que o produtor recebe entre R$ 11,00 e 11,30 (Ivaiporã, sexta-feira), a indústria vende por R$ 12,80 a R$ 13,00 (Ponta Grossa, sexta-feira) e o pequeno granjeiro tem que pagar até R$ 13,20 (Toledo, quinta-feira).





