Oswaldo Petrin
Sábado, dia do leitor
Antônio F.S. Sampaio , de Paranavaí: O comportamento dos preços do boi gordo em nossa região só tem mostrado que os palpiteiros passaram longe da realidade, ao indicarem grande oferta de gado em setembro/outubro e, com isso, acharam que viria a derrubada de preços. Saber que ouvi isso até mesmo de próprios fazendeiros. Mais do que nunca nós produtores temos que confiar mais no nosso taco e nas nossas informações - e desconfiar sempre das informações que saem na imprensa. Elas têm sempre um interesse a ser defendido que, certamente, não é o interesse de quem produz e corre atrás do gado ora para aplicar uma vacina, ora para salvar uma cria. Como se pode ver, os preços reagiram (mesmo a contragosto de uma elite que só tem a perder com isso) e o mundo não desabou por isso, ou seja o povo não deixou de comer carne por isso, o que derruba a tese de que as altas não são absorvidas pelo varejo. Apenas está havendo uma justiça mercadológica se é que se pode dizer isto. Aproveito para parabenizar a Folha e suas fontes consultoras que perceberam a situação atípica. E que os pessimistas da própria pecuária saibam que quando não há mercadoria não se tem como maquiar o mercado. O problema do mercado pecuário é um problema de oferta.
Wilson Baggio , de Cornélio Procópio, diretor da Faep (sobre a liberação de recursos para recuperação de cafezais prejudicados pelas geadas): O plano de recuperação da cafeicultura do Paraná foi mutilado e o Estado foi alijado do atendimento à cafeicultura. O cafeicultor não pode assumir responsabilidades de mais um financiamento, sem período de carência, porque ele precisa no mínimo de dois anos para pagar, que é quando voltará a produzir. As geadas ocorridas nos dias 13 e 17 de julho provocaram a quebra de 75% da safra de café de 2001, quando deixarão de ser produzidas 2,2 milhões de sacas, o que representa um prejuízo de R$ 300 milhões.
Newton Carneiro , presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores: Não acredito na liberação desses recursos porque eles não estão previstos em orçamento. A não ser que se faça uma manobra muito grande, porque de forma regular não existem as vias legais que mostrem a origem do dinheiro. Não entendo porque esses recursos têm que ser disputados com os demais estados produtores, uma vez que não geou em São Paulo, nem em Minas Gerais; se fosse assim o preço do café não tinha caído como caiu.





