O governo pode contar, mais uma vez, com a agricultura para conter os preços dos alimentos, ponto mais sensível da estabilidade econômica. Mesmo não investindo neste setor (a omissão do governo é constatada inclusive nos momentos mais difíceis, como as perdas pelas geadas e duas secas seguidas), a equipe econômica de FHC tem na agricultura um forte (e teimoso) aliado.
É o seguinte: os alimentos de origem animal e vegetal mantêm tendência de queda e, pela primeira vez nas últimas 15 semanas, podem fechar o mês com redução nos preços. Na terceira quadrissemana, ou seja, nos últimos 30 dias até 22 deste mês, os preços subiram apenas 0,18%.
Os dados da Fipe, no seu habitual acompanhamento de preços - divulgados ontem -, revelam nova contribuição do setor primário para estabilidade da cesta básica.
A pressão sobre a inflação é menor porque os alimentos ‘‘in natura’’, após a aceleração em agosto, devido às geadas, estão em queda. Nessa quadrissemana, a queda é de 0,91%.
Heron do Carmo, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da entidade, diz que a taxa deste mês pode ficar até inferior a 0,20%. O acumulado do ano fica em 4%. ‘‘A inflação está sob controle e deve atingir, no máximo, 1% nos últimos três meses do ano’’, diz o economista da Fipe (entrevista a Mauro Zafalon, da Agência Folha). Essas previsões caem por terra, no entanto, se o governo promover novo reajuste nos preços dos combustíveis.
A taxa de inflação continua recuando porque o efeito da entressafra nos preços dos produtos ‘‘in natura’’ já passou e o das tarifas diminuiu, e deve desaparecer na próxima semana.
A tarifa que mais pressiona a inflação é a energia elétrica, que foi responsável por 54% da taxa de 0,39% divulgada pela Fipe. Com o fim da pressão dos reajustes da luz na próxima semana, a taxa de inflação deverá recuar para 0,10% na primeira semana de outubro, diz Heron do Carmo.
A gasolina, outro item de pressão neste semestre, também está com preços em queda. Essa acomodação dos preços é normal após os reajustes. A tendência é os postos que estão cobrando mais caro derrubarem os preços para a média dos outros. A queda média dos preços na quadrissemana foi de 0,06%.

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