Oswaldo Petrin
A semana promete uma série de mudanças. A soja que reagiu à redução da safra norte-americana pode ter novas altas a partir de hoje. O mercado viverá momentos de expectativa e não fixará preços para grandes lotes. Este comportamento é normal para um mercado em ascensão por razões externas e por conta da pouca mercadoria no disponível do mercado interno. O remanescente da safra 99/00 a ser comercializado não chega a 8%.
O milho que aparentemente receberá uma ducha fria com a oferta em balcão dos estoques da Conab, na realidade entra num ritmo de alta mais forte nos próximos dias. Nem a oferta da Conab - cujos estoques são modestíssimos -, nem os prenúncios de um grande plantio para a próxima safra de verão serão suficientes para conter os preços. Portanto o preço do milho sobe nos próximos dias para desabar a partir de janeiro. Até lá tem muito chão e preços pela frente.
Outro fator de baixa seria a autorização judicial para desembarque de milho argentino no Rio Grande do Sul, ontem. Mas fatos isolados também não concorrem para esfriar os preços. Mesmo que desembarque sem embaraços, o milho importado não é competitivo por culpa dos altos custos da internação (transporte do cais do Porto até a indústria, no interior do Paraná, Rio Grande do Sul ou Santa Catarina).
Preço: R$ 12,90/saca. A oferta já sinalizou o mercado para a próxima semana. Preços do milho, no atacado, ontem, no Paraná: Curitiba, Ponta Grossa e Guarapuava: R$ 12,50/12,80/13,00. Norte, Norte Pioneiro e Noroeste R$ 12,80/13,00. Oeste e Sudoeste: R$ 12,00/12,20.
O mercado de boi gordo também promete alta. Redução da oferta - que desde julho era característica isolada do Paraná - deve ocorrer em outros Estados. Escalas curtas dos frigoríficos contribuem para o ambiente de alta do preço do boi gordo.
Mas os analistas têm um aviso aos fazendeiros. O mercado consumidor - a ponta do varejo, não está comportando reajustes repassados pelos frigoríficos. Chega num ponto em que o consumidor faz opção por outros produtos.
Suínos e aves estão com preços em ascensão. O preço do frango cedeu um pouco em São Paulo, mas se manteve firme no Paraná. E os produtores de suínos integrados do Oeste e Sudoeste do Paraná já vislumbram reação favorável por conta do aumento do consumo no final do ano.
No caso da soja vale observar que a alta de preços começou no início da semana passada. De segunda à sexta-feira o preço aumentou 1,5% nos contratos de novembro e 1,3% nos contratos de maio, que servem de referencial para o mercado brasileiro. Ontem, em relação à quinta-feira, a Bolsa de Chicago fechou em alta de 4,25 pontos para novembro (US$ 4,9600/bushel) e 5 pontos nos contratos de maio (US$ 5,2350/bushel).
A alta do dólar nos últimos dias refletiu no aumento das exportações de soja. Analisando as variáveis que exercem influência sobre os preços, inclusive a safra norte-americana, o especialista da FNP, Anderson Galvão Gomes, previu ontem um mercado firme na próxima semana.





