Oswaldo Petrin
O setor sucroalcooleiro teme que uma supersafra no próximo ano agrícola provoque excedente de álcool. Uma reunião na próxima semana, no Estado de São Paulo vai reunir representantes dos produtores de São Paulo, Parana, Mato Grosso e Minas Gerais. Objetivo: evitar excesso de oferta. Quem produz só tem a perder com esse tipo de expansão. Exemplo disso é o estoques de passagem elevados. Os preços caíram para até R$ 0,16 o litro.
Enquanto isso, o governo informou ontem que vai manter os leilões de álcool até o final do ano para garantir o abastecimento do produto no mercado interno e manter o equilíbrio dos preços ao consumidor. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida, a partir de hoje serão realizados leilões quinzenais de 50 milhões de litros cada um. Desse total, cerca de 10% serão de álcool anidro (usado na mistura com gasolina) e o restante, de álcool hidratado (usado no abastecimento de carros movidos a álcool).
Caso o setor privado, que hoje possui um estoque em torno de um bilhão de litros, se comprometa a participar dos leilões, a oferta de álcool poderá ser feita de forma alternada. Enquanto realiza os leilões, o governo prepara um elenco de medidas alternativas para assegurar o abastecimento do produto. A primeira delas é a redução para zero da alíquota do imposto de importação do etanol, que é de 25%, e do metanol, que é de 15%. Esta redução, que deverá vir com um decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ainda neste mês, será mantida até 31 de dezembro deste ano.
O metanol será importado para compor a mistura MEG (60% de etanol, 33% de metanol e 7% de gasolina), que poderá ser usada no lugar do álcool hidratado, caso o Ministério do Meio Ambiente aprove o seu uso, depois de avaliar os efeitos ambientais.
Vamos afastar o fantasma do desabastecimento, enfatizou Fortes, em entrevista à Agência Estado. O governo também prepara mais duas medidas: manter a alíquota do imposto de importação do metanol e do etanol reduzidas a zero a partir de 1.º de janeiro de 2001 e autorizar a importação de álcool anidro via draw-back para as empresas que já exportaram o produto.
O secretário disse que o governo está estudando a recomposição de seus próprios estoques de álcool, que hoje estão reduzidos a 700 milhões de litros. Assim, a Petrobras poderá se beneficiar das medidas que forem adotadas para facilitar a importação de álcool. A Petrobras poderá se beneficiar da alíquota zerada; a empresa só não irá operar com o regime de draw-back.





