A venda de milho a R$ 12,00/saca, noticiada ontem nesta coluna, só ocorreu porque o produto foi considerado de qualidade inferior. Portanto, a transação não pode ser referencial do preços. Embora o mercado venha de um período de vários dias com poucos negócio, não há razões para ‘‘tamanha retração’’.
Esta é a posição de vários agentes do mercado, que reagiram à informação. O preço está correto, mas a mercadoria é inferior. Considerando os indicadores de umidade, impureza, grãos ardidos e brotados, o preço comparativo acabou ficando acima do mercado.
O nível de impureza tolerável, de 3%, também está correto e compatível com os padrões do mercado. Mas os percentuais de grãos ardidos e brotados - que o mercado aceita até o limite de 6% -, no caso do lote (comercializado por R$ 12,00) o teor médio era de 20%, segundo um agente do mercado.
Na opinião de José Pitoli, produtor e atacadista em Cornélio Procópio e Santa Mariana, os R$ 12,00/saca pagos a um lote com esses níveis de depreciação são um preço bom, acima do preço de mercado. Pelos cálculos de Pitoli, equivale a R$ 13,68 da saca do milho normal.
Pitoli é um dos que contestaram o baixo preço numa transação realizada segunda-feira. Ele também previu que os meses de outubro e novembro serão o melhor período para comercialização do milho em que a curva de preços deve alcançar seus pontos mais altos, talvez esbarrando apenas na paridade da importação.
Para isso deve concorrer a expansão da avicultura e suinocultura, principalmente alojamento de pintos, considerando maior demanda nas festas de fim de ano. O milho argentino desembarca no Porto a R$ 12,70/12,87, mais custo da internação (R$ 1,20/saca) equivale a um custo final de R$ 13,90/14,10.
Isto significa que o preço ao produtor paranaense pode chegar a R$ 12,30/12,50 (US$ 5,80/7,00/saca). O mercado pode não subir mais por causa da paridade da importação. Dependendo das condições de liquidez e necessidade de giro do produtor, compensa segurar o produto. Mas, sem perder de vista que em janeiro a tendência do mercado é cair bastante.
Sobre este assunto, Pitoli alerta: a grande oferta de milho ano que vem pode derrubar os preços do produto, em algumas regiões do País, a níveis inferiores ao mínimo. É prudente que o governo se preocupe, desde já, com a criação de mecanismos de comercialização para que o excesso de oferta não se transforme em pesadelo.
Apesar de o mercado receber a notícia da transação de segunda-feira como uma ‘‘ducha fria’’, ontem houve negócio (300 toneladas para pagamento em 10 dias) a R$ 13,00/saca para o tipo 3 com até 10% de grãos ardidos e brotados e umidade acima do normal.

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