A compra, discretíssima, para não dizer sigilosa, de 20 mil toneladas de milho no Norte do Paraná, ontem à tarde, repercutiu rapidamente no mercado e derrubou o preço do produto, tanto no disponível, grandes lotes, como nos índices de preços pagos ao produtor. O preço pago teria variado entre R$ 12,00 e R$ 12,50/saca. A média teria ficado mais para R$ 12,00. Possíveis compradores e vendedores negaram a informação.
Para comparar: no início de agosto o preço oscilava entre R$ 13,50 e R$ 14,00. A notícia não pressionou suficientemente o mercado; não deu tempo. O impacto maior pode ocorrer hoje, apesar da visível situação de escassez. E da demora na liberação dos estoques da Conab através das vendas em balcão.
O mercado, neste momento, está mais exposto a informações baixistas. Até porque esta semana devem aumentar os rumores sobre liberação das importações. Alguns agentes do mercado com atuação em Maringá e Cascavel acham que mais cedo ou mais tarde isso deve acontecer porque a crise no abastecimento é evidente e a pressão pelo milho importado é forte.
E quem falou que não está entrando milho da Argentina? Tem entrado milho através do Porte de Rio Grande, mas destinado ao Paraná. E quem acha mesmo que não está entrando milho pode examinar os registros de importação que certamente vai encontrar, garantiu ontem um operador de trading no Estado de São Paulo.
Ontem à tarde, a única praça que sustentava o preço do milho era Ponta Grossa (R$ 12,60). Outras praças fortes, habituais formadoras de preços como Cascavel, Maringá, Pato Branco, Londrina e Campo Mourão, apresentaram um mercado comprador mas com preços ‘‘recuados’’. Não cederam muito, mas cederam.
Aumento da demanda de milho a partir de outubro (impulsionada pelo aumento do alojamento de pintos e engorda de suínos, de olho no mercado das festas de dezembro) vai contrapor espetacularmente a queda de ontem...e de hoje.
Soja/Chicago A cotação da soja começou o dia em queda, em Chicago, devido às notícias de esmagamento menor do produto - o que indicava consumo menor. À tarde, no entanto, o produto se recuperou, fechando em alta para todos os contratos.
Os contratos de maio, parâmetro para o mercado brasileiro, fecharam em alta de 5 pontos (US$ 5,2450/bushel). Os de março US$ 5,1675 e os de novembro US$ 4,8800/bushel. Veja nesta página.
Para o analista Anderson Galvão Gomes, da FNP, a alta de ontem é considerada normal. Ela reage às informações de alguns problemas no final da safra norte-americana. Essas quebras foram omitidas no último relatório do USDA, segundo as cooperativas. Pela tradição, elas só aparecem integralmente no relatório de janeiro/fevereiro.
Juntando todas as peças desse jogo de informações, é possível montar um cenário melhor para a soja a partir da próxima safra. Mas sempre sem perder de vista que a safra norte-americana não é aquilo que previram, mas é uma grande safra que pode ficar acima dos 77 milhões de t.
Exportações: as exportações de soja diminuíram nas últimas semanas. A média diária recuou para US$ 13,1 milhões neste mês, 51% menos do que em agosto. Com isso, as exportações do agribusiness deste mês devem recuar para US$ 1,45 bilhão, contra US$ 1,74 bilhão em agosto.

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