Oswaldo Petrin
Começa uma semana de sufoco para o abastecimento do milho. Indústrias de ração e setor granjeiro aumentam a pressão sobre a Conab para desovar seus estoques. Apesar de modestíssimos, eles evitam aumento da especulação. É o que dizem. Mas a escassez é real e preocupante.
Como a importação do produto virou um problema judicial por causa da proibição dos transgênicos, o governo (acha que) fica numa situação cômoda, como se nada fosse com ele.
Mas, a longo prazo, contudo, a situação é de tranquilidade. A manchete deste jornal no sábado (Agência Estado) mostra que as chuvas já exercem uma influência positiva sobre a produção de alimentos prometendo abundância. Os frutos ainda demoram mas o efeito sobre especulações é imediato.
Nada está resolvido, contudo. Vem aí uma forte crise social no campo, decorrente da falta de serviço.
Mesmo assim, pode-se dizer que o governo tem mais sorte do que juízo. Afinal, a adversidade climática enfrentada nos dois últimos anos - duas longas secas e depois três fortes geadas - era para ter deixado o governo com as calças na mão.
Mas o cenário, felizmente, é outro. Depois do repique de alta da inflação nos meses de julho e agosto, as chuvas que ganharam força agora em setembro em todo o País estão colaborando para a redução mais rápida dos preços dos produtos agrícolas. Foram esses produtos que pressionaram fortemente os índices de inflação nos dois últimos meses.
Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fernando Montero, o efeito positivo do regime de chuvas, que começou mais cedo esse ano, já pode ser sentido e a expectativa agora é de deflação nos preços dos alimentos. O regime de chuvas está muito bom em todo o País, afirma Montero. Vamos ter deflação e já estamos tendo deflação de todos os produtos com ciclo de produção mais curto, avalia ele.
O impacto positivo das chuvas pode ser mais rapidamente percebido no preço da carne. Com a chuva, o pasto, queimado pela seca, volta aos campos proporcionando a recuperação do gado e consequentemente dos preços. Os preços nem esperam a recuperação do gado, diz Montero.
O pecuarista que tem animais confinados acaba liberando o produto porque sabe que os pastos estão voltando e os preços vão cair, ressalta ele. Segundo Montero, as fortes altas dos preços dos alimentos verificadas em julho e agosto já mostram sinais de arrefecimento com o fim do período da entressafra.
O curto ciclo de produção de muitos produtos, como hortifrutigranjeiros, feijão e frango, ajuda na redução dos preços. A alta de hoje gera a baixa de amanhã, porque esses produtos tem uma resposta a oferta muito rápida, explica Montero. Além disso, começa a ser normalizada a oferta de produtos que podem ser importados, como milho e trigo. Em pouco tempo o produto vem de fora e o preço volta a paridade.





