Pelo menos três analistas de mercado consideraram positivo para a soja brasileira os relatórios do USDA sobre a safra-norte americana de soja liberados segunda-feira e ontem. O comportamento do mercado após divulgação das novas projeções, confirmou o que este jornal havia divulgado em manchete no domingo: um mercado agitado, com preços em ascensão, isto também se expressa nas oscilações de ontem da Bolsa de Chicago (veja coluna de mercado).
Os especialistas Anderson Galvão Gomes, da FNP Consultoria e Comércio, de São Paulo; Fernando Muraro, da Cotriguaçu, em Paranaguá e Curitiba, e Orildo Camaro, de Toledo, têm opinião convergente. Acham que os produtores brasileiros saem beneficiados. E que os dados mudam as intenções de plantio na próxima safra.
Há quem afirme que o USDA foi conservador na sua projeção de 78,9 milhões de tonealdas, quando empresas de consultoria norte-americanas trabalham com quase 1 milhão de t a menos. Mas, de qualquer forma o cenário está definido e, por conta dele a soja em Paranaguá ficou entre US$ 10,70 e US$ 10,80. Além disso, menos de um mês atrás, no relatório anterior a previsão era de 81,3 milhões de t.
Ontem, o indicador de preços da soja Esalq/BM&F ficou em R$ 18,96 a saca, alta de 0,16%. Em dólar, o indicador ficou em US$ 10,36 a saca, recuo de 0,38%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços de mercado em cinco praças do Estado do Paraná.
Convenhamos que não há nada de inusitado. O mercado voltou aos preços do início da safra. O USDA devolveu um pouco mais de esperanças ao mercado de soja, ao prever a safra norte-americana menor do que a esperada em agosto. O mercado, no entanto, previa uma queda maior.
O cenário é bom para os brasileiros mas pode ficar ainda melhor quando o USDA chegar aos números reais da safra norte-americana. Nas estimativas de Muraro, a safra não passa de 77 milhões. A quebra de safra nos EUA pode chegar a 4 milhões de toneladas e os estoques finais da safra 99/20 estão sendo avaliados em 7,2 milhões e os da safra 2000/1 podem ficar em apenas 9,9 milhões.
A seca no final da safra nos EUA, somada ao aumento de demanda na Ásia, é um bom ingrediente para os preços Com safra boa na América Latina, os preços ficam próximos a US$ 5 por bushel. Com quebra, sobem a US$ 6.

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