Oswaldo Petrin
A semana promete novidades para os dois produtos mais importantes no Estado do Paraná. Qualquer atitude comercial com relação ao complexo soja, nesta segunda-feira, será balizada pela divulgação hoje e amanhã do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A expectativa é que o relatóro aponte para redução da safra norte-americana. Neste caso, a alta imediata do produto é quase certa. Na sexta-feira os especialisas já previam: dependendo do relatório que o USDA divulgar, o mercado da soja pode decolar.
No caso do milho, nada impede a ascensão do preço, nem mesmo o aumento substancial da área de plantio, acima das estimativas iniciais. Mas o governo deve anunciar nesta terça-feira, se vai ou não iniciar vendas de balcão de parte do seu modestíssimo estoque para pequenas granjas de suínos e aves.
No setor carne, a mudança, se houver, será no preço do boi que deve ceder um pouco, depois de sustentar R$ 42,00/arroba, enquanto o preço caía em todos os Estados. Houve um fato singular nesta alta do boi no Paraná: pela primeira vez, o preço aqui esteve acima dos preços no Estado de São Paulo, que sempre puxou o mercado.
Com relação à soja, como este jornal já divulgou ontem, parece certo, para a maioria das tradings, que a safra norte-americana não será tão grande como foi projetado três semanas atrás. Duas empresas de consultoria de credibilidade no mercado, a Farmers Commodities Corporation e a Sparks, estão apontando queda da colheita dos Estados Unidos, respectivamente de 77,4 milhões de toneladas e 79,6 milhões de t. Bem abaixo das 83 milhões de t, porém acima das 71,9 milhões da safra anterior, que encorajou a ampliação do plantio em outros países.
O mercado começou a viver essa expectativa há dias. Depois de ver as cotações internacionais fecharem em alta na quinta e sexta-feiras, o cauteloso indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F registrou o refluxo do mercado e ficou em R$ 18,96/saca, baixa de 0,32%. Em dólar, o indicador ficou em US$ 10,42/saca, queda de 0,29%. O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná. Mas isto se deve mais ao desinteresse da oferta - que não houve - e da compra.
Com relação ao mercado do milho, a longo prazo, o quadro continua otimista. Segundo Ivan Wedekin, da RC.W Consultores, o cenário é favorável para se investir em tecnologia, caprichar na produção e acompanhar o mercado para uma comercialização vantajosa da safra.
Em 2001, a produção de milho no Brasil continuará insuficiente para atender à demanda. No corrente ano, a importação poderá alcançar 2,5 milhões de toneladas e os estoques continuarão muito baixos, o que é sinônimo de bons preços no mercado. Os produtores de milho terão perspectivas de bons negócios em 2000/01, principalmente os que garantem, através de tecnologia, bons níveis de produtividade, aposta Ivan Wedekin, diretor da RC.W Consultores, empresa de consultoria em agribusiness.
A produção nacional não tem sido suficiente para atender ao crescente uso do milho. Em 1995 os produtores colheram uma safra de 37,4 milhões de t, nível jamais repetido. As safras seguintes ficaram abaixo de 34 milhões de t.





