O Paraná tem que se cuidar muito com relação à febre aftosa. Primeiro foram as trocas de acusação entre o governo federal e o governo do Rio Grande do Sul. Tais divergências expõem, em primeiro lugar, a falta de compromisso mais sério dos governos e, em segundo lugar - mas não menos preocupante - a fragilidade das estruturas existentes para controlar a doença.
Mal refeito do impacto negativo proporcionado pela discussão pública do ministro da Agricultura e do vice-governador gaúcho, na abertura da Expointer, o setor enfrenta agora o cinismo do Mercosul.
Trata-se do seguinte: a Argentina e o Paraguai negam a existência de focos. Se negam, nada têm a fazer. E é aí que mora o perigo.
Embora Argentina e Paraguai também tenham realizado o sacrifício de animais recentemente, apenas o Brasil admite casos comprovados de aftosa em seu rebanho. ‘‘Na Argentina, não há foco de aftosa’’, declarou o secretário da Agricultura, Pesca e Alimentação (cargo equivalente ao de ministro), Antonio Berhongararay. Ele esclareceu que foram mortos em seu país cerca de três mil animais ‘‘como medida preventiva’’, diante de exames sorológicos positivos. Berhongararay acrescentou que não tem informações sobre a origem desta sorologia, procurando desfazer o mal-estar criado com o Paraguai desde que começaram a surgir suspeitas.
‘‘O Paraguai está livre de aftosa’’, observou seu ministro da Agricultura e Pecuária, Enrique Jose Garcia de Zuñiga, que confirmou, entretanto, a eliminação de 15 animais suspeitos. Na região de fronteira com a Argentina, o Paraguai está vacinando o rebanho, afirmou o ministro, garantindo que o procedimento ‘‘deve’’ continuar.
Podemos apontar pelo menos duas consequências comerciais dessa confusão:
1) O Chile interrompeu ontem as importações de carne e derivados do Rio Grande do Sul, ‘‘devido à aftosa’’. Essa carne, após desossada, poderá ser colocada em São Paulo pressionando os preços. (Fonte: FNP, ontem).
2) Cerca de 1,5 mil suinocultores paranaenses reunidos em Dois Vizinhos neste final de semana chegaram à conclusão de que a queda do preço da carne de suínos na sexta-feira ‘‘só pode ser atribuída à manobras do mercado paulista (e demais grandes centros) que, a pretexto da febre aftosa, aproveitaram para suspender contratos e reduzir os preços’’. Foi o que informou a este jornal, ontem, o diretor técnico da APS, Severino Bezerra.

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