Oswaldo Petrin
A face política da crise da aftosa pode ter-se esgotado com as discussões ríspidas entre o ministro da Agricultura Pratini de Moraes e o vice-governador do Rio Grande do Sul. Eles foram protagonistas, na sexta-feira, de episódio que envergonhou os produtores perante os visitantes estrangeiros - entre eles o ministro da Alimentação e Agricultura da Alemanha -, segundo a Rádio Gaúcha de Porto Alegre, sábado de manhã. O espetáculo ocorreu na abertura da Expointer, principal exposição agropecuária do Brasil.
Mas a crise técnica e econômica ainda vai longe. Até porque foram identificados novos focos num assentamento do Incra, no município de Jóia. Vai ser difícil explicar certas nuances aos importadores, principalmente à Comunidade Européia e Estados Unidos.
A reunião do ministro Pratini de Moraes com colegas de países do Mercosul, na semana passada, tratou de linhas gerais numa ação preventiva. No entanto, a comunidade técnica da Argentina e Brasil, pelo menos, tem consciência de que não é fácil controlar uma doença de fácil disseminação em países com longa extensão de fronteiras continentais. Sem uma operação de guerra essas reuniões de cúpula são inócuas.
Como na economia, também na questão sanitária - quando o episódio ganha dimensões, como atualmente - não faltam os palpiteiros e os que pegam carona para criticar. Falhas não faltam para os críticos se fartarem.
Mas há críticas mais autorizadas que servem de alerta para outros Estados que estão sujeitos a problemas como o RS. Para garantir a recuperação do certificado internacional de região livre de febre aftosa, o RS teria de abater todos os animais considerados sensíveis à contaminação, o que inclui não só o gado bovino, mas também os rebanhos de ovinos, caprinos e suínos existentes nas áreas onde foram constatados novos focos da doença.
A afirmação é de Thierry Chillaud, chefe do Serviço de Informações e Trocas Internacionais da OIE (Organização Internacional de Epizootias), ao repórter Ronaldo Soares, da Agência Folha. Na sexta-feira, ao ser informada pelas autoridades brasileiras sobre o reaparecimento da doença no Rio Grande do Sul, a OIE suspendeu o certificado de zona livre de febre aftosa que concedera há dois anos ao Estado.
Chillaud diz que, para ter o certificado de volta, o mais recomendável é o Estado realizar o chamado abate sanitário, que prevê o sacrifício de todos os animais sensíveis à contaminação pela febre aftosa, o que, segundo ele, inclui bovinos, ovinos, caprinos e suínos.
Ele explicou que a medida não é imposta pela OIE, mas que se trata do procedimento mais recomendável em casos de reaparecimento da aftosa.
Caso o Rio Grande do Sul não adote este procedimento, o Estado só conseguirá reaver o certificado se a OIE considerar satisfatórias as medidas tomadas para acabar com a circulação do vírus.
Chillaud citou como exemplo o caso da Grécia, que optou pelo abate sanitário ao constatar recentemente o reaparecimento da febre aftosa, que estava erradicada do país desde 1996. Desde então, o país já abateu cerca de 8 mil animais.





