Oswaldo Petrin
É incrível como alguns segmentos do setor produtivo conseguem crescer, apesar dos problemas sociais, da baixa demanda de bens e, sobretudo, apesar da ausência de um plano oficial de fomento econômico. Uma pesquisa elaborada pela Agência Estado e Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), divulgada durante a semana pela AE, mostra uma situação confortável no setor de bens de consumo. Aponta que os primeiros sete meses do ano encerraram com alta de 6,4% sobre idêntico período de 1999 permitindo a criação de 2 mil novos postos de trabalho, totalizando 750 mil empregos no setor.
Pela segunda vez este ano a Abia refez para cima os cálculos, dobrando a projeção inicial que apontava para alta de 3% na procução para 2000, e que já havia sido revista anteriormente para aumento de 4%.
Esse incremento registrado nas indústrias está sendo absorvido pelo próprio mercado interno. Os números revelam que o volume de exportações de produtos industrializados despencou 25,3% no semestre sobre idêntico período de 1999 e a receita encolheu 14,3% atingindo US$ 3,3 bilhões.
Os US$ 74,6 bilhões faturados no ano passado seguem o mesmo trajeto de alta verificado na produção. A demanda está firme e o ano fecha, no mínimo, 6% acima do resultado do ano passado e a receita cresce no mesmo ritmo, afirma Dênis Ribeiro, economista da Abia. O forte aquecimento da demanda vem sendo sinalizado há um ano tornando-se mais consistente a partir de janeiro.
Os últimos doze meses, encerrados em julho, são um forte balizador de que os negócios estão, de fato, mantendo o bom desempenho: alta de 6,2% na produção física. O levantamento anterior apontava crescimento de 4,3% no semestre e alta de 4,9% nos últimos doze meses. Os números provam que podemos apostar num crescimento consistente e sobre bases muito altas, antes nunca experimentado pelo segmento, afirma Ribeiro. - Na análise de julho os resultados continuam positivos. Comparado ao mesmo mês de 1999 subiu 0,14% e sobre junho deste ano ficou 0,99% superior. Embora as taxas sejam mais modestas é bom lembrar que o aumento vem sendo contabilizado sobre bases altas. Em junho, por exemplo, a produção havia subido 2,8% ante maio.
Desde junho de 1999, a indústria alimentícia vem numa curva ascendente superando a expectativa mês a mês. Para se ter uma idéia, janeiro abriu com acréscimo nunca antes visto: 8,1%. Pela primeira vez na história o segmento bateu recorde em fevereiro com taxa de 32% e encerrou março mantendo a casa dos dois dígitos: subiu mais 11,3%.
No mês seguinte, embora com resultados mais tímidos, manteve alta de 2% sobre abril de 1999 e caiu 12,5% sobre março, o que já era esperado diante de números tão altos. Em maio subiu mais 1,4% ante abril, registrando ligeira queda de 1,3% sobre idêntico mês do ano anterior. A tendência de alta persiste, afirma Ribeiro (Agência Estado).





