Que ninguém se iluda: pelo menos por algumas semanas os importadores ficarão receosos com relação à carne bovina brasileira. Não que o problema sanitário tenha um peso tão determinante (embora, convenhamos, as exigências são muitas, principalmente na UE), mas por questão comercial mesmo!
Para proteger seus mercados, os países importadores vão utilizar os focos de aftosa do Rio Grande do Sul como bode expiatório. Os governos serão pressionados pelos seus produtores a fazer isto.
Se, saneados os focos do RS, tudo será esquecido e o mercado ficará acima das especulações. Porém, se por desastre, surgirem novos focos no RS ou Santa Catarina, aí os reflexos serão maiores.
A briga política entre o ministro Pratini de Moraes e o governo de Olívio Dutra do Rio Grande do Sul pode acabar prejudicando outros Estados. Deviam pensar grande. A troca de acusações ontem teria irrigado lideranças e técnicos de outros Estados que estavam em Brasília para tratar de um tema tão sério.
É uma pena porque o mercado internacional nunca esteve tão receptivo. Os dados sobre exportação revelam que as exportações de carne vêm crescendo este ano.
As exportações brasileiras de carne bovina nos primeiros sete meses deste ano somaram 332,292 mil toneladas em equivalente carcaça, com receita no período de US$ 452,975 milhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), computado pela FNP Consultoria.
Os números apresentam aumento de 13,1% no total exportado e de 6,2% na receita, em relação ao desempenho de igual período do ano passado, quando foram embarcadas 293,812 mil toneladas em equivalente carcaça, para um faturamento de US$ 424,8 milhões.
O setor manteve um resultado acumulado positivo apesar da queda nas exportações em julho último, quando foram embarcadas 42.263 toneladas de carne de bovina, contra 52.728 toneldas exportadas em julho/99 (retração de 7,6%). - A receita em julho último ficou em US$ 73,1 milhões, valor 5,7% abaixo do registrado em julho/99 (US$ 77,6 milhões).
A propósito deste assunto, para o diretor dos Frigoríficos Bertin, Natalino Bertin (em entrevista à Agência Estado, ontem), a redução das exportações de carne bovina em julho deve-se ao fato de os importadores europeus terem pressionado os preços pagos em um momento que o preço da arroba do boi subiu no mercado interno. Segundo ele, os atuais preços do boi no Brasil ainda estão elevados, mas as chuvas que estão caindo neste momento devem provocar uma onda de oferta de animais por parte dos pecuaristas o que pode derrubar os preços no curto prazo.
O bom desempenho da carne bovina pode ser visto no quadro divulgado ontem pela AE, com o balanço das exportações de carne bovina, no qual nota-se o crescimento das vendas de carne ‘‘in natura’’ neste ano, com crescimento de 42,72% no volume exportado.

LEITURA DINÂMICA

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