A alta da inflação em julho e agosto já preocupa economistas quanto ao comportamento dos índices de preços para 2001, cuja meta é de 4%. Preocupa o varejo, que tem dificuldade em repassar. Preocupa o consumidor.
Só não preocupa o governo. Malan disfarça e culpa a ‘‘sazonalidade e o clima’’, enfim fatores imponderáveis.
Mais sincero, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, cita as tarifas públicas. A exemplo do ministro Malan, Fraga disfarça e procura minimizar a situação. O discurso é que a inflação está entrando em ‘‘trajetória de declínio’’. A de agosto será menor que a de julho e a de setembro será menor que a de agosto, segundo ele. Não existe nenhum elemento que mostre que teremos inflação alta daqui para a frente.
Mas Fraga, pelo menos, não culpou os alimentos, ao admitir que a alta da inflação em julho e este mês foi causada por itens específicos, como os combustíveis - e, convenhamos, por problemas climáticos, que afetaram os preços dos alimentos.
Mas, como é a questão no núcleo, afinal? O núcleo é um indicador antecedente que dá tendência da inflação, eliminando as flutuações de curto prazo. Ele aponta para onde estão indo os preços influenciados diretamente pelo comportamento da demanda e pelo ritmo de atividade econômica (veja Agência Estado neste Caderno). O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor -
Disponibilidade Interna (IPC-DI) calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), por exemplo, subiu 0,74%, em julho ante 0,16% no mês anterior e foi o maior índice registrado desde fevereiro de 1999.
O núcleo da inflação calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) pela consultoria LCA atingiu 0,44% na segunda quadrissemana de agosto, ante 0,42% em julho. Na média, o núcleo da inflação medido pela LCA está em 0,5% ao mês, desde janeiro.
Voltando ao enfoque oficial da questão, não dá para discordar do governo quando Fraga - em meio uma produção estagnada - prevê queda da inflação. O governo vai regulando a demanda no justo calibre apontado pelos índices. Para isso se utiliza, como já vimos em outras ocasiões neste espaço, de instrumento de política monetária e aquilo que a atual política econômica tem de mais marcante: desemprego e baixo consumo.
Chuva Choveu ontem em quase todo o Estado do Paraná. É a volta da atividade no campo e do otimismo do produtor. A safra vai ser antecipada para entrar cedo no mercado e pegar bons preços. Hora do governo parar de falar em importação de alimentos.

LEITURA DINÂMICA
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