A safra brasileira de grãos 1999/2000 será de 82,497 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 3,2% em relação a quinta estimativa feita em julho, quando a Conab previu uma safra de 85,2 milhões de t de grãos. A quebra na segunda safra de milho e no trigo, em decorrência de problemas climáticos, foi o principal motivo para a queda da estimativa.
A segunda safra de milho, por esta nova estimativa, será de 3,925 milhões de t, o que representa uma queda de 32,9% em relação a quinta estimativa de julho. No caso do trigo, a queda será de 41,9%, com a produção chegando a 1,526 milhão de toneladas. Houve também uma redução de 18,6% na estimativa de produção de sorgo, que deverá ficar em 731,4 mil t.
Devido à queda na produção, o País deverá aumentar a importação de trigo e milho. No caso do milho, a Conab estima que deverão ser importados 2,6 milhões de t, ante 2 milhões estimados em julho passado. Para o trigo, a estimativa é que sejam importados 8,3 milhões de toneladas este ano, ante 7,726 milhões previstos na quinta estimativa de safra feita em julho pela Conab.
As geadas registradas em julho fizeram com que a estimativa de produção para o milho caísse dos 6,664 milhões de toneladas calculados em abril para 3,925 milhões, o que representou uma queda total de 2,719 milhões de t.
No caso do trigo, os cortes nas estimativas de produção foram de 74,9% no Paraná, 61,4% em São Paulo e 31,8% no Mato Grosso do Sul, consequência da forte seca seguida das geadas do mês de julho. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, Estados responsáveis por 33% da produção nacional de trigo, as lavouras também sofreram perdas por causa das baixas temperaturas de julho.
Na opinião do presidente da Conab a quebra na produção do trigo não justifica um aumento de preços em produtos como farinha, pão e massas, que poderiam impactar nos índices de inflação. ‘‘É importante lembrar que o Brasil é um grande importador de trigo’’, lembrou Pinheiro. O presidente da Conab descartou, porém, a possibilidade de o governo importar milho ou trigo para cobrir a quebra de produção dessas duas culturas. ‘‘O que podemos fazer é não impedir a importação pelo mercado’’, disse.
O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida, anunciou que o governo doará cinco mil t de sementes de milho para produtores do Paraná. O Ministério da Agricultura deverá gastar com todo o processo cerca de R$ 10 milhões.

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