Oswaldo Petrin
A semana promete um teste para o mercado de soja. Qual a reação dos preços internos diante das informações sobre a safra norte-americana?. Até início da semana passada eram mantidas as previsões de uma safra recorde acima de 80 milhões de toneladas. Por conta disso, os preços não evoluíram.
No final da semana surgiram boatos de que nem tudo vai bem com a safra de soja dos Estados Unidos. Houve uma boa distribuição de chuvas, porém o calor em algumas regiões prejudicou a produtividade. A última informação é de que há possibilidade de quebra.
Faltando ainda entre 17% e 22% do total da safra a ser comercializado, a expectativa para os produtores que não fixaram preços é muito grande. Eles preferiram vender o milho e segurar a soja. Mas aí veio a geada que jogou os preços do milho para as nuvens.
Iniciada a colheita - das lavouras não prejudicadas - os preços do milho cederam. Mas, mesmo assim, permaneceram em patamares poucas vezes atingidos, garantindo margem de lucro maior que a soja, nos seus bons momentos. A soja, pelo contrário, ficou na expectativa da safra norte-americana, beneficiada pelo clima.
O último relatório do USDA, duas semanas atrás, confirma a boa performance. Mas o calor dos últimos dias teria comprometido a formação de grãos, fenômeno só constatado nos últimos dias. Este problema, contudo, estaria ocorrendo em menos de 20% da área. Em grande parte da área a produção está salva, ainda que muitas tradings estejam revendo suas projeções.
Nessas revisões há quem admita quebra de até 3%, não falando também quem exagere um pouco ao estimar a produção da safra norte-americana em menos de 78,5 milhões de toneladas. Como o mercado da soja é muito sensível (especulativo) esses números fazem a diferença.
Na Bolsa de Chicago essas correções de previsão causam impacto forte. Mas no mercado brasileiro a repercussão é diferente. O preço não altera muito nas compras das indústrias, que enfrentam outros problemas. Um recuo agora na safra americana exerce influência na outra ponta da cadeia.
Trata-se do mercado de sementes e outros insumos. Neste momento em que agricultores planejam a safra de verão - alguns inclinados a trocar a soja pelo milho - é importante mostrar uma boa perspectiva para a soja. Afinal, a mudança para outro produto não interessa para fortes setores das indústrias e mesmo as cooperativas.
É importante para a indústria de insumos usados na soja e seus distribuidores que os agricultores estejam animados para as compras. Melhor notícia para aquecer o setor é esta: uma quebra na safra norte-americana acena com bons preços para a soja brasileira. No embalo da informação - bem orquestrada - permanece todo mundo na soja. E, então, o que ocorrer daí para frente, são meros acidentes de percurso, afinal cada safra tem uma história, como no futebol. Porque o mercado também tem seus cartolas.
A postura do agricultor não pode ser de indiferença com relação a essas nuances. Porém não pode se envolver muito. Tem que estar vacinado. Melhor forma de ficar acima dessas informações, manipuladas ou não, é a eficiência. Boa produtividade com baixo custo garante margem de ganho em qualquer circunstância.





