O problema da aftosa no Paraguai e Argentina terá de ser tratado no Mercosul, com compromisso de vacinação e direito à fiscalização mútua. Os dois países já trocam acusações, porém histéreis, que vão avançam num cuidado sanitário mais efetivo.
A ocorrência de aftosa na Argentina acontece no momento em que o País se preparava para reconqusitar a posição de vanguarda no mercado internacional (a Argentina foi o primeiro exportador de carne de gado entre 1990 e 1991). Além de imaginar os prejuízos, o governo argentino assiste agora à troca de acusações entre autoridades sanitárias e policiais, estes últimos encarregados de cuidar das fronteiras. A polícia se defende dizendo que o problema está no difícil policiamento de trechos fronteiriços sem postos de controle, e na diferença de preço da carne argentina e paraguaia. Na verdade, o produto paraguaio custa a metade do argentino e é muito procurado, embora de menor qualidade.
Com aftosa, a Argentina teve mais problema no início dos anos 90. Desde então, suas dificuldades para controlar a febre, registrada no país desde 1830, fizeram-na perder posições para Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia. Nos anos 90, o controle da enfermidade, mediante constante vacinação, chegou ao auge em 1994, quando se registrou o último foco. Tal êxito abriu, em 1997, o mercado norte-americano, que estava fechado há 65 anos para carnes argentinas. Esse primeiro passo, porém, era apenas o começo de um amplo projeto de recuperação de competitividade, conforme a Inter Press.
Segundo a France Press, ontem, o governo paraguaio decidiu retomar a vacinação de seus rebanhos contra a febre aftosa na região da fronteira com Brasil e Argentina, declarando o alerta epidemiológico na zona, segundo um decreto firmado ontem.
O decreto indica que a decisão foi adotada após o surgimento de casos de febre aftosa na Argentina e da vacinação irregular contra a aftosa no Brasil, temas que serão discutidos na próxima semana, durante uma reunião bilateral entre as autoridades paraguaias e brasileiras.
A vacinação geral na região de fronteira envolverá de três a quatro milhões de cabeças de gado, afirmou o presidente do Serviço Nacional de Saúde Animal, Vicente Acuña, que antecipou um plano estratégico e ações operativas para combater a aftosa na zona.

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