Oswaldo Petrin
Estados Unidos estão nadando em café. A Green Coffee Association (GCA) divulgou ontem novos números dos estoques internos de café dos Estados Unidos. Com o acumulado de junho (689.805 sacas), os estoques passam de 5.443.257 sacas de 60 kg, para 6.133.062 sacas. Somados aos cafés em comercialização na bolsa (cerca de 3 milhões de sacas), os estoques para consumo norte-americano podem chegar a 9 milhões de sacas.
Quem conhece o mercado garante que os estoques norte-americanos podem ser considerados altíssimos. Esta informação é apenas mais um fator de baixa nos preços internacionais, tanto que a Bolsa de NY cedeu, ontem, nos contratos de setembro e de dezembro.
Com esta informação, vem à tona, de novo, a falta de estatística oficial sobre a produção brasileira. O maior produtor de café do mundo, não sabe quanto vai colher. Saber, até que sabe, mas não tem um número oficial como referencial. Todos sabem, na prática, que as safras 2000 e 2001 foram prejudicadas pela seca (em todos os Estados produtores) e geadas (no Paraná).
Mas o investidor de bolsa trabalha com dados oficiais e os dados oficiais disponíveis, hoje, conspiram contra os interesses do Brasil, porque apontam para uma grande produção (40 milhões de sacas) que, segundo comerciantes, não será atingida.
A safra 2001/2002 deve ficar entre 30 milhões e 33 milhões de sacas e não 40 milhões. Da mesma forma que a safra 2000/2001 não confirmou os dados generosos previstos pela Embrapa.
Por que o maior país produtor de café não tem um número para mostrar ao mundo?
O que intriga os comerciantes é o que eles chamam de omissão da Embrapa, órgão credenciado para fazer previsões sobre o café. Os EUA lideram a produção de soja no mundo e assumem o comando das previsões, que exercem determinante influência sobre os preços. O Brasil não tem levantamento sistemático, não se impõe. Fragiliza seu comércio e atrapalha os demais produtores.
O comerciante Marcos Bacceti, ouvido ontem por este jornal reclamou que a ausência de um levantamento oficial, confiável, deixa a economia cafeeira à mercê dos especuladores do mercado internacional.
A Embrapa teria terceirizado o levantamento de safra de café. Para o comércio isto não importa. O que interessa é que o País trabalhe com uma previsão, que seja confiável e que dê parâmetros para o mercado.
Mercado: as indústrias de café tiveram dificuldades na compra de matéria-prima na semana passada. Os maiores problemas ocorreram nas compras de lotes grandes, segundo o presidente do Sindicafé paulista, Nathan Herszkowicz.





