Oswaldo Petrin
Depois de um mês de paradeira, o preço da soja tem pequena alta (4% no balcão das cooperativas do Oeste), num bom momento para os produtores - que não fixaram no início da safra - e precisam vender agora, pressionados pela aproximação de um novo plantio. Tanto que o volume de oferta deve aumentar nos próximos dias. Bom, também, para a indústria que tem pago um dos menores preços dos últimos anos. São 6 milhões de toneladas para trocar de mão, 20% da produção. Ano passado, nesta mesma época, a comercialização estava mais avançada: 90%.
A indústria, que paga o mico de um grande estoque de óleo, entra de cabeça na comercialização. O estoque de óleo de soja é o mais alto desde 1995. Em junho último era de 366 mil toneladas, mais de 75% sobre o mesmo mês do ano passado (200 mil t). Fonte: site da Abiove. No mercado externo esse óleo esbarra na grande oferta de óleo de girassol, palma e canola e em mercados resistentes como a China, que prefere a matéria-prima.
Sobre a nova safra, este jornal ouviu a FNP Consultoria, ontem: a previsão é de que a área de soja deve ser mantida no Centro-Oeste enquanto nos três Estados do Sul deve perder espaço para o milho.
Se o mercado de óleo de soja está superofetado agora, imagine com essa alavancagem das próximas semanas. Cada tonelada de soja converte 180 kg de óleo (18%). Mas, ainda bem que transforma mais farelo: 789 kg. O mercado mostra que sobra óleo mas falta farelo.
Óleo tem problema de estocagem porque perde qualidade. Chega o momento que a indústria tem que vender a qualquer preço.
O preço da soja, decididamente, não tem chance de melhorar. Faltam poucos dias para o início da colheita norte-americana, que é recorde (81,3 milhões de t) e está salva de qualquer problema com o clima. Um analista de mercado que, dias atrás, esteve em Iowa, Minesotta, Nebraska, Illinóis e outras zonas produtoras, voltou impressionado. Telefonou para esta coluna dizendo dá para pensar que vão colher mais que o previsto.
Ele define o cenário com a seguinte frase: Daqui a três semanas o mercado vai se desmanchar porque, a esta altura, cada dia a mais é um dia a menos de risco para eles. E teremos muita soja no mercado mundial.





