No Brasil das duas agriculturas, enquanto os (quase) flagelados da seca e da geada no Paraná não conseguem ser ouvidos pelos políticos, em São Paulo um economista do governo faz prognóstico otimista. Apesar do paradoxo, não há exagero nessas duas realidades.
A recuperação da demanda interna por produtos agropecuários deverá criar um cenário agrícola mais favorável para a próxima safra, segundo estimativa do economista Guilherme Dias, professor da Fipe/USP. Ele será um dos participantes do 4º Seminário de Conjuntura Agropecuária, que será realizado hoje no Hotel Sheraton Mofarrej a partir das 12h30. O seminário é uma realização da Agência Estado em conjunto com a MB Associados e da consultoria Sparks.
Segundo o economista, além do aquecimento da demanda interna, o mercado agrícola será beneficiado pela redução da queda dos juros, o que deverá se refletir em um aumento do crédito agrícola disponível para a safra 2001. Dias acredita que haverá uma diferença expressiva no cenário agrícola dependendo da região do país.
Nas regiões onde existe uma maior ligação entre agricultura e pecuária, o cenário será melhor aproveitado. Isto porque, neste ano, o setor pecuário - incluindo bovinos, suínos e aves -registrou um crescimento de renda maior que o agrícola.
‘‘Aquele agricultor que possui um pé na agricultura e outro na pecuária terá mais chances de registrar lucros maiores’’, disse. Os produtores que praticam esta complementaridade entre agricultura e pecuária estão situados em maior número no Paraná, Mato Grosso e Minas Gerais. ‘‘Os produtores do Rio Grande do Sul possuem estas áreas mais separadas e podem ser prejudicados’’, disse.
Dias acredita que nas regiões mais favorecidas poderá ser registrado até um aumento no plantio. O professor também explica que haverá uma recomposição de área no próximo ano. ‘‘Estamos detectando um interesse de migração por parte de produtores de várias culturas’’, afirmou.
Abiove Só porque a Abiove está pressionando contra o incentivo à exportação de soja, o produto foi exceção honrosa no último levantamento sobre balança comercial, divulgado ontem pela Secretaria de Comércio Exterior.
A soja, o principal item da balança comercial, não seguiu essa tendência de baixa. Nas duas primeiras semanas deste mês, as exportações médias subiram para R$ 30,8 milhões por dia útil, com evolução de 112% em relação à média de agosto de 1999.

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