Oswaldo Petrin
A semana promete novos contornos na crise entre governo e o setor distribuidor de combustíveis.
Medidas defensáveis do ponto de vista do consumidor, como as que prevêem punição à formação de cartéis (MP assinada sexta-feira confere à Agência Nacional de Petróleo, ANP, poderes para tal), esbarram em pelo menos duas dificuldades. A primeira é quanto à eficácia: há extrema dificuldade para agir em cima de um setor tão pulverizado internamente e, ao mesmo tempo, com poder decisório fora do País, casos das grandes marcas multinacionais. A segunda dificuldade é a que remete o goveno à ações que se abeiram do intervencionismo inibidor de investimentos.
Haveria ainda uma terceira dificuldade, a indiscutível crise de credibilidade enfrentada pelo governo FHC, não sem razão.
E haveria que se questionar também o papel da Petrobras nesse contexto, absolutamente passível de revisão.
No bojo da crise, governo e formadores de opinião colocam na mesma vala as empresas do setor, inclusive aquelas que emergiram de programas patrocinados pelo próprio governo e que tiveram papel importante na crise do petróleo dos anos 70/80. São as destilarias e usinas implantadas no Paraná e algumas no Estado de São Paulo. Modernas, enxutas, desempenhando papel social e econômico no abastecimento e em suas comunidades, estas usinas e destilarias não podem ser confundidas com aquelas.
Apesar da mesma atividade-fim, as usinas modernas e as destilarias não carregam o mesmo rótulo que as velhas usinas do Nordeste, viciadas em benesses. Destilarias também são usinas - digamos - mas surgiram com nova propostas, em outros tempos. Como as velhas usinas, elas também devem ao Banco do Brasil e, certamente, se colocam na mesma posição com relação ao mercado. Mas têm compromissos e premissas que passam longe do jeito nordestino das velhas usinas.
Em resumo, usinas lembram empresas de usineiro nordestino. Destilarias, geralmente - tanto quanto as usinas modernas que operam no Paraná -, são administradas por executivos treinados.
A despeito de pontos em comum na atual queda-de-braço com o governo, muitos desses executivos não gostariam de ser comparados aos velhos usineiros. Por razões que a história conta.
Esta observação parece oportuna no momento em que vem à tona a questão das dívidas. Das 340 usinas no País, 215 devem ao BB. A dívida renegociada em 1996 soma R$ 2,3 bilhões.
Outros R$ 2,5 bilhões estão sendo executados judicialmente. Não operamos mais com o setor como um todo, mas empresa por empresa, disse o diretor de Crédito Rural do BB, Ricardo Conceição (Agência Esado, ontem). A região de Ribeirão Preto e Piracicaba, em São Paulo, por exemplo, concentra cerca de 60% a 70% da produção do Centro-Sul.
Em termos de Brasil, no entanto, apenas 17% das usinas estão em situação regular. Grande parte das empresas, localizadas no Nordeste, estão no cadastro de inadimplentes.





