Oswaldo Petrin
Newton Carneiro , de Ribeirão do Pinhal (presidente da Associação Paranaense de Cafeicultura - APAC): A Folha foi o único jornal que divulgou corretamente a informação sobre os recursos anunciados ontem (quinta-feira) para cafeicultura. Da forma como a imprensa em geral divulgou a notícia, ficou a imprensão de que o governo está repassando um bom volume de dinheiro para o Paraná, o que não é verdade.
As resoluções 2767 e 2769, que tratam desses recursos, sequer citam o Paraná. Falam em cafés geados de maneira genérica, o que deixa entrever que os recursos são para beneficiar basicamente o Estado de Minas Gerais.
Quanto aos valores anunciados, cerca de 5% vêm para o Paraná. Outro ponto a ser considerado é com relação à prorrogação dos contratos de financiamento. Prorrogar por mais seis meses contratos que vencem em 30 de outubro, não acrescenta nada porque o produtor só vai ter safra em 2002. Ou o governo adia os vencimentos para após a safra de 2002 ou não adianta prorrogar.
O que nós (entidades repesentativas da agricultura: Apac, Faep, Ocepar e Seab) solicitamos ao governo foi no sentido de que todos os contratos tivessem origem no Fundo de Desenvolvimento da Cafeicultura (Funcafé), que tem verba específica. E que, desta forma, fossem financiados com recursos de origem cafeeira, portanto, sem recorrer ao Tesouro Nacional. A proposta da lavoura será discutida no FDPC.
Do jeito que o governo está tratando o assunto, os pequenos e médios produtores ficam excluídos de qualquer apoio, apesar do alto nível de perdas e da gravidade das geadas. O Banco do Brasil só empresta dinheiro para clientes que têm bom cadastro, com nível de classificação AAA.
Perdas na cafeicultura ocorrem antes mesmo das geadas. A seca reduz o rendimento da colheita. Tradicionalmente são necessárias 6,8 sacas de café em coco para fazer uma saca beneficiada. Mas nesta safra, por causa da grande porcentagem de grãos chochos esta relação aumentou para 11 por 1.
Walter A.S. Santini , de Maringá: Agora entendo os motivos de o Paraná insistir com café, apesar do clima. As perdas daqui justificam alta de preços dos cafés de Minas e São Paulo. Só que desta vez não deu certo, porque os especuladores da Bolsa de Nova York entendem melhor a nossa geografia. Mas os mineiros agradecem do mesmo jeito: as geadas do Paraná estão justificando todo esforço para renovar seus financiamentos, renegociar suas dívidas e/ou obter novos recursos. Nós ficamos com as consequências das geadas e eles com o dinheiro para cuidar dos seus cafés. Os políticos de lá forçam a barra e o governo federal aceita. Moral da história: nossas geadas são melhores que as geadas deles, mas os nossos políticos...





