Oswaldo Petrin
Governos federal, estadual e municipais, podem abrir frentes de trabalho e envolver representações agrícolas (sindicatos de trabalhadores e patronais) na busca de saídas de emergência para reduzir o impacto social do desemprego no campo. A denúncia do presidente da Fetaep - nesta página - é grave.
A injeção de recursos para operações de custeio e financiamento da produção é uma opção. O dinheiro espanda a crise. É preciso criar liquidez no campo, mesmo em épocas como a atual. Se o dinheiro flui, os problemas desaparecem.
Aliás, Finalmente. Uma boa notícia, veio ontem pela Assessoria do Ministro e pela Agência Estado: os produtores de café terão um apoio de R$ 290 milhões. Desse total, R$ 250 milhões se referem a crédito de custeio, concedido no ano passado, cujas parcelas começariam a vencer a partir de setembro próximo, e que será transformado em pré-comercialização. Com isso, o pagamento ficará prorrogado para os meses de janeiro, fevereiro e março do ano que vem, segundo um assessor do ministro. Além disso, o governo está aportando mais R$ 40 milhões também destinados à empréstimo para pré-comercialização.
A informação foi dada ontem pelo menistro da Agricultura, Pratini de Moraes. A medida tem dois objetivos: ajudar os produtores que tiveram prejuízos com as geadas no Paraná e reforçar o suporte ao programa de reordenamento das exportações. Com a transformação do empréstimo para custeio em pré-comercialização, deixarão de ser colocados no mercado cerca de três milhões de sacas de café, segundo o Ministério da Agricultura.
Pratini recebeu ontem o embaixador brasileiro no Reino Unido e presidente da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), Sérgio Amaral, que afirmou não haver a menor chance de que o programa internacional de reordenamento das exportações de café, firmado em junho passado pelos países produtores, em Londres, seja suspenso.
Segundo ele, o Brasil - primeiro país a implementar o programa em função da época da colheita - já possui 450 mil sacas de café estocadas nos armazéns oficiais, desde meados de julho até ontem.
Este volume permite lastrear a exportação de 2,250 milhões de sacas de café, considerando que 20% do produto exportável deve ficar retido, conforme determina o programa. Um programa de retenção não dá resultado antes de cinco a seis meses, observou, lembrando que esse foi o período necessário em programa semelhante, implementado em 1993.
Sérgio Amaral garantiu não só que o Brasil manterá o seu programa de retenção das exportações, como irá também ajudar a entidade a mobilizar os demais países produtores para que estes cumpram o compromisso firmado junto à entidade em junho passado. A intenção, segundo ele, é que esses países comecem a implementar seus respectivos programas a partir de primeiro de outubro próximo. A próxima reunião da APPC, para avaliar o andamento do programa, acontecerá no dia 17 do mês que vem.
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