Oswaldo Petrin
A semana começa com nova batalha para o setor agropecuário paranaense. Hoje é dia de reunir as forças que vão desembarcar amanhã, em Brasília, e pressionar o governo para melhorar as condições de apoio, face aos prejuízos das geadas. Desta vez a Faep, Ocepar e a própria Secretaria de Agricultura resolveram convocar deputados.
Na verdade os políticos não têm muita afinidade com produção. Com honrosas exceções são omissos quando o assunto é agricultura. Pouco entendem e, em geral, não procuram se informar.
É injusto interpretar a ação dos paranaenses em Brasília, amanhã, como um insistente pedido de ajuda na acepção do termo. O Paraná quer um tratamento compatível com um estado que produz, que arrecada, que abastece, que gera riquezas e empregos. E o governo central - sem paternalismo - tem que dispor de mecanismos para atender a casos de emergência, onde quer que ocorram, no justo calibre do que o Estado - ou região atingidos - têm para oferecer.
O setor quer que o governo reconsidere o pacote de apoio, conferindo mais efetividade, mais recursos, enfim, mais disposição de colaborar. As medidas são tímidas e o elenco anunciado na sexta-feira pelo Ministro Pratini, inclui decisões já tomadas e recursos já alocados, ou pelo menos anunciados antes, até, da geada.
Entre as medidas, há pontos positivos: a prorrogação do pagamento da parcela do crédito de investimentos é positiva. A parcela que deveria ser paga nesta safra será prorrogada para um ano após o vencimento atual.
Porém, o volume de crédito de apenas R$ 40 milhões para as dívidas de investimento e de custeio contraídas sem seguro agrícola é um volume que está abaixo das expectativas. As estimativas de perdas vão de R$ 300 milhões a R$ 500 milhões.
O jeito é apostar no sucesso individual de cada um na hora de sentar com o gerente do banco. A renegociação das dívidas sem seguro será feita caso a caso, segundo o Ministério da Agricultura, dentro das normas do crédito rural.
No mais o pacote não agradou, do grande ao pequeno. Tanto que a Fetaep não gostou do pacote.
Pelo menos três dirigentes credenciados - ouvidos por este jornal após anúncio do pacote, sexta-feira -, não esconderam sua decepção: o presidente da Faep, Ágide Meneguette; o da Ocepar, João Paulo Koslovski, e o presidente da Comissão de Grãos da Faep e do Sindicato de Londrina, Edison Mazei Ponti. Não aprovaram o pacote e explicaram os pontos falhos. Meneguette acusa o governo de não atender ao setor cafeeiro, parte do setor canavieiro e de não destinar recursos para o fundo de aval, que iria atender a pequenos e miniprodutores.
Outro ponto crucial que precisa ser atendido, segundo Meneguette, são os recursos para financiamento de emergência aos produtores rurais que não tiveram financiamento oficial, mas que se endividaram ou utilizaram recursos próprios para o custeio das lavouras. As dívidas diretas dos agricultores junto aos fornecedores, postos de gasolina e cooperativas somam R$ 210 milhões, sendo que R$ 150 milhões só com as cooperativas.
LEITURA DINÂMICA





