O mercado da carne finalmente se definirá na próxima semana, após queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos que durou quase um mês. Ontem, o preço no atacado cedeu um pouco sinalizando que o preço da arroba já atingiu seu limite. Os preços do boi gordo também cederam (R$ 42,00) porque os frigoríficos conseguiram alongar a escala para a semana.
O preço do dianteiro avulso caiu de R$ 2,00 para R$ 1,95. O dianteiro 1x1 caiu de R$ 2,10 para R$ 2,00. O traseiro manteve os R$ 3,00 em todas as modalidades. Estes preços praticados em São Paulo são referencial para outras regiões.
O atacado da carne apostou no aumento do consumo (retorno às aulas e pagamento de salário) mas isto não aconteceu. A análise é de José Stamato, especialista da FNP Consultoria & Comércio, entrevistado ontem à noite por esta coluna.
Outra informação sobre o mercado da carne: a FNP refez as estimativas de engorda intensiva de gado para este ano. O total de animais confinados deve subir para 1,78 milhão de cabeças, com avanço de 14,5% sobre os números de 99. A FNP prevê que os animais semiconfinados serão 1,86 milhão de cabeças, com aumento de 21% em relação ao total do ano passado. Semiconfinados são os animais de pasto que têm alimentação diária suplementar de um quilo ou mais de ração.
A oferta de animais de pastagem de inverno deve ficar em 1,22 milhão de cabeças neste ano, com evolução de 7,2% em relação a 99. No total, a oferta de gado de engorda deve ser de 4,86 milhões de cabeças, 9% mais do que em 99, segundo as previsões da FNP.
Juros Os juros básicos vêm caindo gradualmente a cada reunião do Copom, chegando no mês passado a 16% (quase 40% menos de dois anos atrás). Mas as taxas cobradas no mercado não cedem. Crédito pessoal, ao consumidor, cheque especial, etc, não expressam as mudanças fixadas pelo Comitê de Política Monetária.
Finalmente o BC (quem diria?) resolveu rever ontem sua metodologia de cálculo dos juros bancários e descobriu que as instituições financeiras cobram mais caro do que se supunha nas operações de crédito a pessoas físicas.
Os juros médios anuais em empréstimos a pessoas físicas são de 76,5%, segundo a pesquisa de junho, pouco acima dos 74,1% captados pelo levantamento feito em maio pelo BC, que usou a metodologia antiga. A elevação média parece pequena, mas a diferença é bem maior quando algumas operações são vistas isoladamente.
Pela nova metodologia, o BC descobriu que os juros anuais do cheque especial estão em 162,5%, bem maiores que os 140,9% anuais captados em maio pelo levantamento feito com a metodologia anterior (veja nas páginas de economia).

LEITURA DINÂMICA
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