Exportação de carne
Duas secas interrompidas por chuvas que não foram suficientes para devolver umidade. Portanto, caracterizando o que os técnicos chamam de deficiência híbrica, e duas fortes geadas. Mesmo assim, os pastos garantirão abastecimento normal de carne no mercado interno e os técnicos mantêm as previsões de exportação.
As exportações brasileiras de carne bovina devem registrar uma receita, em 2000, de US$ 850 milhões, um volume 15% inferior à expectativa do governo federal, que esperava que as vendas externas atingiriam US$ 1 bilhão neste ano. A estimativa é do analista José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria. O técnico confirmou, ontem, a projeção feita dias atrás, à Agência Estado.
Segundo ele, o número foi estimado tendo como base a média da receita com exportações no primeiro semestre de 2000 e o crescimento registrado no segundo semestre de 1999. A previsão anterior da FNP era de exportações de US$ 940 milhões.
Ferraz informa que a estimativa foi reduzida porque, para atingir os US$ 940 milhões em 2000, a receita mensal das vendas de carne bovina ao exterior teria que ser, no segumento semestre, de US$ 92 milhões, um volume 46% maior que a média de US$ 63 milhões registradas no primeiro semestre de 2000. ‘‘É remota a possibilidade deste crescimento ser registrado no segundo semestre. Atingir os US$ 1 bilhão está fora de cogitação’’, disse Ferraz (entrevista Eduardo Magossi, Agência Estado). A falta de uma estratégia de venda de carne bovina brasileira no exterior está sendo o principal motivo de queda na receita obtida com as exportações. Segundo José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, o Brasil decidiu aumentar sua oferta de carne bovina no mercado internacional mas não levou em conta que uma maior oferta deprime os preços. Como consequência, o preço da tonelada de carne bovina in natura recuou de US$ 2.184 em junho de 1999 para US$ 2.009 em junho deste ano. A tonelada de carne industrializada caiu, no mesmo período, de US$ 916 para US$ 824. Para o analista, outro motivo que acabou por também pressionar os preços foi o crescimento menor que o esperado na demanda internacional, principalmente nos mercados asiáticos.
As exportações brasileiras de carne bovina ficaram em 57.043 toneladas em junho, um volume 8,1% superior às 52.730 toneladas verificadas em igual período de 1999, segundo dados da Secex, compilados pela FNP Consultoria. Deste total, 25,7 mil toneladas foram de carne in natura e 31,24 mil t de carne industrializada. A receita obtida em junho ficou em US$ 77,58 milhões, ligeiramente superior às US$ 73,85 milhões verificados em junho de 1999.
LEITURA DINÂMICA
-Mais um complicômetro para a agricultura combalida. Os custos de produção da nova safra serão calculados considerando o ‘‘antes’’ e ‘‘depois’’ do aumento do diesel.
-O diesel não aumentou desta vez, mas o aumento de julho (o segundo do ano) repercute em até 12% nos custos de produção, principalmente no preparo da terra para safra de verão.
-Pior para quem (ainda) faz plantio convencional. Vantagem para o sistema PD.
-O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve ontem a decisão tomada no dia 25 de julho que liberou as importações de arroz da Argentina.
-Produtores gaúchos disseram que a entrada do produto importado aumenta a iliquidez do setor e reflete negativamente em outras atividades do comércio, como o setor de insumos.
DROPS
Noroeste/Cocamar O projeto que viabiliza o plantio de grãos no arenito do Noroeste do Paraná (assunto de ontem nesta coluna) tem a participação da Cocamar, que desempenha o importante papel do cooperativismo na produção primária e na agroindustrialização. E a tecnologia é do Iapar. Outro participante que está investindo na região é Zênica.
A omissão dos nomes dessas instituições - e de outras que participam indiretamente - não foi deliberada. A ocupação do arenito está atraindo investidores que querem arrendar pastos para produção de grãos.
Frango/Times A guerra do frango entre Brasil e Argentina repercute na imprensa internacional. ‘‘A disputa ameaça azedar as já frágeis relações comerciais entre os dois principais membros do Mercosul’’, disse ontem o jornal britânico Financial Times.
Radical A Argentina insistiu que não vai recuar nas restrições de importação que impôs sobre o frango brasileiro na semana passada mesmo após o governo ter ameaçado levar a disputa à OMC. Na semana passada a Argentina elevou o seu preço mínimo de importação para o frango de US$ 0,70/0,80/kg para US$ 0,92 para a empresa Sadia.

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