As lideranças do Paraná já estavam com o desconfiômetro ligado. Aí o ministro Pratini de Moraes adiou um anúncio marcado para ontem, mas que deveria ter feito na semana passada. O anúncio seria sobre os recursos que o governo vai liberar para a agricultura flagelada. É uma emergência.
Mas, ontem, pelo jeito, Pratini ainda tentava tirar leite de pedra pois estava reunido com Pedro Malan, que além de não entender nada de agricultura, entende menos ainda de agricultura prejudicada por geada ou seca. Não entende e não faz questão de entender.
Como o pacote de apoio ainda não estava fechado - 15 dias depois da geada -, os mais otimistas acham que Malan vai dar um jeito de arranjar os recursos.
Diante da demora - e antes que o pedido venha a esbarrar em Malan como tudo indica, as lideranças resolveram pressionar politicamente (ver matéria nesta página). Mas ainda aguardam para hoje as ‘‘boas novas’’ de Brasília.
A estiagem do final do ano passado, somada às recentes geadas de julho, deixou os produtores agrícolas com o capital de giro baixo. O setor já se movimenta para acertar com o governo uma renegociação das dívidas passadas e um acerto para as atuais.
Para recompor o caixa, os agricultores dizem que o governo precisa adiar os pagamentos do custeio por pelo menos três anos, com o primeiro vencimento para a safra verão de 2002. Na safra de inverno de 2001, os produtores ainda estarão descapitalizados, dizem.
Enquanto isso o ministro Pratini vem apagando um incêndio atrás do outro: ontem teve que descartar a hipótese de que o governo venha a ofertar álcool através de leilões, como fez de dezembro do ano passado até março deste ano, período em que foram oferecidos 420 milhões de litros do produto para forçar a baixa dos preços do álcool.
O estoque é de cerca de 800 milhões de litros do álcool hidratado, que não serve para ser misturado à gasolina. O consumo do País é de cerca de 1 bilhão de litros ao mês.
Técnicos da área econômica afirmam que parte da cana-de-açúcar que iria para a produção do álcool foi destinada à fabricação de açúcar. O motivo seria a a alta do preço desta commodity no mercado internacional. Em dezembro do ano passado, a tonelada de açúcar estava sendo negociada na Bolsa de Londres por US$ 168,20 ante US$ 273,20 apurados no fim de julho deste ano. A variação na Bolsa de Mercadorias e Futuro também não é diferente: no fim de 1999, o preço da tonelada do produto era de US$ 187,00 e agora está cotado a US$ 280,00.
Pratini não concorda. O que o ministro diz é que a quebra da safra de cana-de-açúcar da região Centro-Sul provocará a diminuição das exportações de açúcar pelo País.

LEITURA DINÂMICA
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