Oswaldo Petrin
Uma notícia que eleva o moral dos produtores, diante do discurso de que falta competência ao setor: a produtividade das principais culturas acumula aumento de 22% ao longo dos últimos 10 anos. (O fator competência suscita longa discussão; primeiro é preciso identificar em qual das agriculturas falta mais eficiência, profissionalismo, etc).
A produção da safra agrícola 1999/2000, calculada pelo IBGE em 85,89 milhões de t, mesmo com as adversidades do La Niña, é a consolidação de sucessivos ganhos de produtividade nas lavouras do País na última década.
A produtividade das principais culturas (algodão, soja, café, milho e feijão) cresceu 22,4%, em média, entre 1987 e 1998 um aumento anual de 1,85% em média no período, de acordo com levantamento realizado pelos professores Guilherme Leite da Silva Dias e Cicely Moitinho Amaral, da Faculdade de Economia Agrícola (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).
Ao mesmo tempo em que a área plantada com grãos apresentou uma redução de 3,4% entre 1990 e 1999, de 36,8 milhões para 35,6 milhões de ha, a produção cresceu 46% no período, de 56,6 milhões para 82,8 milhões de t, segundo Fábio Silveira, analista da Tendências Consultoria. (Entrevista a Eugênio Melloni, da AE).
Contribuíram para a maior produtividade agrícola, segundo apuraram os professores da FEA, uma série de mudanças que restringiram cada vez mais o velho modo de fazer agricultura, com a enxada em punho e uma atávica resistência ao avanço tecnológico, a bolsões de agricultura familiar.
Entre os fatores de transformação, destacaram: o uso mais intensivo da terra, em consequência do fraco desenvolvimento da infra-estrutura de transportes; o aprimoramento, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, de variedades agrícolas mais adaptadas aos diferentes microclimas do País e resistentes a pragas e doenças; o forte processo de profissionalização do campo, associado à maior absorção, pelos produtores, de insumos agrícolas e novas tecnologias. A pesquisa realizada pelos professores está no livro Brasil Uma década em Transição, publicado neste ano pela Cepal e a Editora Campus.
No Brasil, o espaço para ganos em produtividade ainda é muito grande. Há espaço também para redução dos desperdícios e melhoria da qualidade. Mas nada é feito do dia para a noite. Seria mais rápido se houvesse uma programa de governo bem definido.
O crescimento atual deve ser atribuído à iniciativa de setores privados que investiram em tecnologia. Exemplo disso está no milho, em que houve grande contribuição dos híbridos; além da soja e trigo outros grãos.
LEITURA DINÂMICA
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