Oswaldo Petrin
A julgar pelas projeções do IBGE, o País vai conseguir a façanha de manter uma safra recorde mesmo depois de tantas perdas (confirmadas e assumidas como definitivas) causadas pela seca e depois geadas. Essas perdas não transparecem nos prognósticos, permanecendo a mensagem mais otimista, de abundância.
O comércio assimila a informação que vai servir de parâmetro para os preços. Depois da comercialização, ai os números finais vão indicar como certas as perdas que não foram captadas pelos levantamentos anteriores. Nesta altura o agricultor já vendeu sob o efeito de uma (hipotética) maior oferta. Pelo menos foi assim em anos anteriores. Por esta razão o setor se sente incomodado com dados otimistas-ufanistas. Até porque, embora corretos neste momento, eles falseiam a verdade final da safra.
Essas projeções só servem mesmo para palanques ministeriais. No momento, o que preocupa produção e indústria é o que entra no mercado. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, informou sexta-feira (Agência Estado) que a redução nas safras de milho e de trigo do Paraná, causadas pelas geadas, vai fazer com que o País aumente as importações desses dois produtos além do que estava previsto, nos próximos meses.
Conforme a estimativa feita antes das geadas as importações de trigo deveriam ficar em 7,2 milhões de t, e as de milho em torno de 1,5 milhão de t. Agora, as aquisições de trigo deverão se situar em torno de 8,2 milhões de t (proporcional a quebra registrada na colheita paranaense, que é de um milhão de t) e as de milho em torno de 2 milhões de t.
Antes da quebra registrada no Paraná, a estimativa total para a segunda safra de milho (safrinha) era de 5,5 milhões de t. Agora, este volume deverá ficar em torno de 3,3 milhões de t, conforme Benedito Rosa. A produção brasileira de trigo é de 2,4 milhões de t para um consumo de 9 milhões de t anuais, já incluindo o produto processado para farinha, enquanto a demanda de milho é de aproximadamente 35 milhões de t.
A maior parte das importações (cerca de 90%) desses dois produtos vem da Argentina. No ano passado, o País gastou US$ 832 milhões com a compra de 6,8 milhões de t de trigo. Com o milho, foram gastos US$ 88,5 milhões para importar 822 mil t.
Benedito Rosa contestou, no entanto, as previsões alarmistas, segundo ele, que vêm sendo feitas pelo mercado de que será necessário importar 3 milhões de t de milho este ano. Até porque as importações têm preço alto.
De janeiro a junho deste ano foram importadas 1,045 milhão de t, sendo que neste mês de julho já foram adquiridas 60 mil de t, o que dá um total de 1,105 milhão de t de milho. Considerando que esta mesma quantia seja adquirida no próximo semestre, a importação ficará em cerca de dois milhões de t.
Além disso, o secretário de Política Agrícola informa que as culturas alternativas, que podem substituir o milho na composição da ração animal estão com um bom desempenho. Isto, contudo, não é confirmado pelas cooperativas.
LEITURA DINÂMICA
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