Ninguém tem a pretensão de esperar que o governo FHC se mostre proativo no campo da produção, das emergências face aos fenômenos climáticas, ou no âmbito do mercado. Mas poderia pelo menos mostrar-se mais realista. Neste momento, por exemplo, o erro já não é mais a falta de ação diante dos adversidades como a seca (ano passado e este ano) e geadas. O erro agora está em subestimar as consequências. Convenhamos que aqui não pecam apenas o comando da política agrícola e a econômica no sentido mais amplo, mas os escalões mais técnicos, como os encarregados de medir o reflexo dos prejuízos, e os da distribuição de recursos. Para irritação e inconformismo de tem quem tem pressa.
Pelo menos num ponto o governo deixa um saldo positivo, que também não se sabe até aonde vai. Trata-se do consumo. FHC debilitou a agricultura, mas garantiu aumento (tímido) do consumo de comida.
Segundo estudo feito pelo Ministério da Fazenda e divulgados ontem (AE), de julho de 94 a julho de 99, o brasileiro passou a consumir, na média anual, 8,3% a mais de frango, 10,4% a mais de leite e 1,5% a mais de carne bovina. Entre 94 e 2000, a produtividade no campo e o preço pago ao produtor agrícola também registraram crescimento.
O levantamento foi feito com base nos oito principais itens que compõem a cesta básica (frango, soja, açúcar, café, carne, leite, arroz e feijão). Segundo o coordenador-geral de produtos agrícolas da Seae, Eduardo Leão, a elevação do consumo de proteínas demonstra o aumento da renda da população, principalmente nas classes sociais mais baixas.
Café e soja também apresentaram incremento no consumo: na média, o aumento foi superior a 5% ao ano. No caso do açúcar, a alta foi de 2,9% e de 0,2% no de arroz. Os brasileiros, no entanto, reduziram as compras de feijão, produto que, segundo o estudo, sofreu retração de 2,6% no consumo per capita.De acordo com o coordenador, os produtores agrícolas alegam que um dos fatores que contribuíram para manter a inflação baixa nos últimos seis anos foi o preços dos produtos que fazem parte da cesta básica. Em média, a inflação durante o Plano Real chegou a 80% enquanto, de acordo com o Procon-Dieese, o preço da cesta básica ficou 25% mais caro.

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